quinta-feira, 5 de julho de 2018

Receptadores

   Receptadores  -   José Passini
   O receptador é mais criminoso do que aquele que assalta, que rouba, que desvia bens. O receptador incentiva o crime, pois ao assaltar, o criminoso sabe que tem um comparsa: aquele que lhe comprará o fruto do roubo.
   Há muitos tipos de receptadores: aqueles que compram o produto do roubo por ter um valor muito baixo, para revendê-lo com grande lucro, por não incidirem sobre ele os respectivos impostos. Outros, embora sabendo de sua origem ilícita o adquirem para uso próprio.
   É de se perguntar quais os meios de que se valem os assaltantes para colocar no comércio o produto de grandes roubos, às vezes cargas inteiras de caminhões de transporte que conduzem mercadorias de variada espécie. Seria de se perguntar, também, como podem as peças roubadas ser colocadas no mercado sem a conivência de comerciantes inescrupulosos, receptadores que são tão criminosos quanto os assaltantes. Talvez mais, até.
   Será que não está faltando uma fiscalização severa no sentido de verificar a origem de produtos que estão sendo comercializados?
   Diante do volume crescente de roubos de cargas, a fiscalização sobre a origem de produtos comercializados pelos estabelecimentos de existência legal deveria ser mais rígida. A facilidade na colocação do produto do assalto é forte incentivo ao roubo.
   Outro tipo de receptador é aquele consumidor que, embora sabendo da procedência duvidosa de um produto, é tentado pelo seu preço muito abaixo do normal. Deixando de lado o escrúpulo, adquire-o, incentivando assim o roubo, o tráfico, a contravenção enfim.
   Nesse contexto, onde entram os ensinamentos espíritas? Se temos dúvidas quanto à licitude da origem do produto, devemos aplicar o ensinamento do Apóstolo Paulo: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam." (I Co, 10:23).
   A sociedade deve ter consciência de que o comprador de droga, ainda que para seu uso pessoal, é também um contraventor, um receptador de produto que circula através do crie, gerando o maior desequilíbrio social dos últimos tempos.
   Diante do fato de não ser possível ao usuário de droga a sua aquisição por meios legais, todo aquele que fosse apanhado com tais produtos, ainda que para uso pessoal, deveria ser responsabilizado, pois estaria, no mínimo, na condição de receptador de produto de circulação ilegal. Se a droga não pode ser comercializada legalmente, o seu usuário deveria ser criminalizado também, diante do fato de estar comprando produto de tráfico. O usuário de droga deve ser conscientizado de que também ele é agente promotor de grave desequilíbrio social, pois contribui diretamente para a manutenção dessas lutas armadas entre quadrilhas que vivem do narcotráfico, em tiroteios que levam muitos inocentes à morte.
 
 

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Visitando as essências da doutrina espírita (2)

   Os tentames da oração precisam revestir-se de determinadas condições mínimas para o alcance de
seus nobres objetivos. Desde a recomposição do ânimo na oração matinal que nos propicia valorização das possibilidades de cada dia, à intercessão de auxílio por um necessitado, ou aos valores energéticos que nos beneficiam a saúde do corpo, a oração não prescinde de uma preparação.
   O ato de orar nem sempre é compreendido em sua própria execução, donde a menor eficácia dos resultados obtidos. Há procedimentos ajustáveis ao modo de orar que merecem nossa atenção. É no livro 'O Evangelho segundo o Espiritismo' que encontramos a alusão a que vimos de nos referir: "Quase todos vós orais, mas quão poucos são os que sabem orar!" (1) 
   Precisamos, antes de tudo, forrar o íntimo na atitude da humildade perante o Criador, de modo a encetarmos o ato da oração com a dignidade requerida para o sublime contato. É o autor espiritual Emmanuel que nos afirma, em seu livro 'Justiça Divina': "É por isso que Jesus, em nos ensinando a orar, revelou Deus como sendo o amor de todo amor, afirmando, simples: 'Pai nosso, que estás nos céus...' (2) 
   O espírita francês Leon Denis (1846-1927) menciona o estado necessário da prece como refúgio dos aflitos: "extravamento íntimo da alma para Deus". (3)     

Fontes
(1) O Evangelho segundo o Espiritismo, Maneira de orar, item 22, capítulo XXVII Pedi e obtereis
(2) Justiça Divina, Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, Pai
(3) Depois da Morte, Leon Denis, A Prece

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Visitando as essências da doutrina espírita (1)

  Utilizemo-nos de alguns livros escritos pelo autor espiritual Emmanuel, na busca dos modos para
estabelecimento do sentimento de contentamento como motriz permanente, ativada no imo da alma.
Diz-nos o Espírito Emmanuel, no livro 'Caminho, Verdade e Vida', que "o bom trabalhador (...) tem bom ânimo [e] encontra na aspereza da semeadura e no júbilo da colheita igual contentamento."
   Adiante, o mesmo autor, no livro 'Pão Nosso', instrui: "Quem revela energia suficiente para abraçar a vida cristã, encontra recursos de auxiliar alegremente."
   Encontramos ainda, no livro 'Fonte Viva': "O contentamento de ajudar é um dos sinais de nossa fé." 
   Acrescentamos aqui, a frase constante do livro 'Palavras da Vida Eterna': 'A paz e o concurso fraterno, a explicação e o contentamento são obras morais que pedem serviço edificante como as realizações da esfera física."

   Podemos verificar nessas referências, que, quando determinamos em nosso íntimo que o contentamento se torne sentimento sempre presente, o júbilo viverá perenemente em nosso íntimo, seja nas ações próprias de nossos deveres, como também na colheita dos resultados. Deste modo, a felicidade íntima estará em nós em todos os momentos, antes mesmo dos resultados de nossas ações sadiamente realizadas. 
   Também podemos colher nesses textos, que o contentamento demonstra que estamos apoiados na fé, ou que a fé necessariamente se faz companheira do sentimento de contentamento acalentado no interior de nossa alma, o que significa grande ganho, pois contentamento e fé irão fortalecer duplamente as couraças da alma - e todos nós precisamos de fortaleza nos embates necessários.
   E, finalmente, o autor Emmanuel nos inclina a considerar ser a aquisição do contentamento permanente, é 'obra moral', indicando que tal se alcança por meio de um processo de esforço dirigido no campo da própria alma. 
   Saibamos construir individualmente, na aplicação dos comandos mentais igualmente disponíveis em todos nós, as estruturas psíquicas que nos garantirão tal avantajamento.   

fontes: os mencionados livros são da psicografia de Francisco Cândido Xavier

sábado, 12 de maio de 2018

A lei de Deus e a felicidade

   A busca da felicidade permanente resume todas as nossas aspirações. Trata-se de uma conquista
possível, segundo assinala Allan Kardec:
   "A lei natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta." (O Livro dos Espíritos, questão 614, Allan Kardec).
   Isto significa que a felicidade pode ser alcançada se a cada momento pudermos indagar a lei de Deus sobre o que devemos ou não fazer, e assim, jamais seremos infelizes.

   No entanto, o entendimento sobre os abrangentes aspectos da lei de Deus não é possível a todas as pessoas, consoante instrução obtida por Allan Kardec:
    "Todos podem conhecê-la [a lei de Deus], mas nem todos a compreendem." (O Livro dos Espíritos, questão 619, Allan Kardec).
   Os espíritos orientadores mencionam dois tipos de pessoas que obtendo acesso á lei de Deus, a compreendem: 
   "Os homens de bem e os que se decidem a investigá-la são os que melhor a compreendem". (O Livro dos Espíritos, questão 619, Allan Kardec).
   É importante considerar que o espírito instrutor não utilizou o verbo estudar, quando mencionou a ação de busca de compreensão da lei de Deus. Preferiu o verbo investigar. Com efeito, estudar e investigar são diferentes.  Estudar retrata toda ação voltada à aquisição de conhecimento, enquanto investigar diz respeito a algo específico - o uso de observação e exames minuciosos como ferramenta de estudo.
   Essas indicações feitas pelos espíritos orientadores da codificação apresentam-se como sugestões, rastros a serem seguidos na criação de tal investigação. Tendo Allan Kardec dividido O Livro dos Espíritos em quatro partes, dedicou toda a parte terceira a perguntas a respeito do tema das leis morais, constituintes da lei de Deus, com cujas respostas certamente abasteceremos nosso cabedal de informações para a estruturação da investigação mencionada. 

terça-feira, 1 de maio de 2018

A progressividade da doutrina espírita I

   Em vária ocasiões Allan Kardec afirma poder a doutrina espírita ser objeto de um processo que lhe
conduza à progressividade. 
   Não há como imaginarmos a possibilidade da progressividade da doutrina espírita ocorrer de modo divorciado do aprimoramento das atividades dos centros espíritas ou afastada dos melhoramentos diários proporcionados pela renovação mental de cada espírita. As dezenas de milhares de instituições espíritas significam o movimento de instrumentação do Espiritismo junto às criaturas, e as milhões de pessoas adesas à causa são o ambiente pessoal onde a essência da doutrina efervesce e pode realizar a transformação pretendida pela doutrina espírita.
   Entendendo que o pensamento de Leon Denis permanece vivo quando afirma que "o Espiritismo será o que os homens dele fizerem" (Leon Denis, No Invisível), algumas questões devem ser propostas quando buscamos analisar o que temos feito do Espiritismo.
    Allan Kardec afirma que "o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação."(Allan Kardec, A Gênese, cap. 1, item 14). Certamente precisamos com mais frequência colher os dados dos fatos novos costumeiramente surgidos nas rotinas de atividade espírita e procedermos a observação, comparação e análise conforme preconiza Allan Kardec e Obras Póstumas, de modo a remontar dos efeitos às causas e deduzir-lhes as consequências e suas aplicações úteis.  
        




sábado, 28 de abril de 2018

A desconhecida reforma íntima

   Reconhecidamente, um dos temas necessariamente recorrentes da agenda de divulgação dos
postulados do Espiritismo, é aquele que diz respeito à diretriz de providenciarmos a reforma interior.
   "É bom que se previna: o essencial no modelo espírita é a renovação mental". (Mario Lange de S.Thiago, Revista Harmonia, 2011)
   Os expositores têm sido incansáveis em interpretar, da tribuna espírita, as palavras de Allan Kardec: "Se, efetivamente, seguindo o conselho de Santo Agostinho, interrogássemos mais amiúde a nossa consciência, veríamos quantas vezes falimos sem que o suspeitemos, unicamente por não perscrutarmos a natureza e o móvel dos nossos atos." (comentário de Allan Kardec à questão 9119-A de O Livro dos Espíritos)
   No entanto, se indagarmos os palestrantes, os frequentadores assíduos das exposições doutrinárias, e os demais trabalhadores espíritas a respeito da aplicabilidade da prática sugerida, verificaremos que a apreciação desses preceitos permanece apenas na esfera teórica, sendo raros os companheiros que arregimentam esforços para a experimentação permanente da introspecção metodizada.
   Seguimos, todos, em busca de uma sistematização da reforma íntima, que nos permita metodizar a lógica agostiniana da conversação com a consciência.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

O mesmo sentimento

   Fonte Viva é o livro de Emmanuel, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier,  que contém 180 reflexões acerca da Boa Nova de Jesus de Nazaré.

   Quando em busca de consolação, talvez o leitor necessite conciliar em si mesmo, durante a leitura, a convicção de que necessita de renovação espiritual, para depois alcançar o alívio esperado. O autor espiritual escreve dirigindo-se à nossa consciência, e somente com a atitude de reconhecimento da nossa necessidade pessoal de reformular conceitos e entendimentos perante a vida, poderão os textos do livro Fonte Viva nos serem úteis.
   De certa forma trata-se de um livro escrito para iniciados. E iniciados sabem que de quando em quando, caem e precisam exercitar a reflexão libertadora para levantarem-se outra vez.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Diversidade de dons

   Texto de número 4, entre as 180 reflexões do livro Fonte Viva, de Emmanuel.

  
   “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo”. – Paulo, I CORINTIOS 12:4.

   O administrador, o servidor, o rico e o pobre, o forte e o fraco, o sábio e o aprendiz, o são e o doente comparecem, na conceituação do texto, com oportunidades especiais para o “engrandecimento comum de sabedoria e de amor”.
   Emmanuel sempre apresenta surpresas conceituais. Observe o que ele aduz a respeito das possibilidades do doente:

O doente, com mais segurança, pode plasmar as lições da paciência no ânimo geral.  

 Conscientemente, estamos diuturnamente habilitados a considerar exatamente desta forma? Ou seja, quando adoentados, vivemos em sua totalidade a sugerida lição de paciência, ou ao menos nos iniciamos decisivamente nesse aprendizado?
   Muito provavelmente a resposta da maioria de nós é ‘não’.
   É muito comum, aliás, que a leitura dos textos de Emmanuel em livros como Fonte Viva, Vinha de Luz e outros, nos ensejem, por hábito de menor aproveitamento, apenas admiração pelo autor e pela estruturação da conceituação que nos é oferecida, sem que nos empenhemos em praticar, durante a própria leitura, a edificação de renovação que nos é propiciada.
   Vejamos como o autor espiritual nos inclina ao discernimento, após listar as chances de ação no bem caracterizadas pelas circunstâncias vivenciais listadas acima:

   Os dons diferem, (...) mas a capacidade é fruto do esforço da cada um, (...) e o Espírito Divino que sustenta as criaturas é substancialmente o mesmo.

   E concluindo suas afirmações, Emmanuel aconselha:

Coloca a Vontade Divina acima de teus desejos, e a Vontade Divina te aproveitará.
  
   Quer nos parecer, neste momento, que nosso interesse buscará situar-se em descobrir como colocar a Vontade de Deus acima dos nossos desejos. Estudemos mais Emmanuel, no afã de conhecer tal metodologia.

   

terça-feira, 24 de abril de 2018

Sendo chamado, obedeceu

   

   Quando em busca de consolação, o texto de Emmanuel, no livro Fonte Viva, nos traz reflexões necessárias, mas que em muitas ocasiões tratam-se de revisões que poderemos ter dificuldade em aceitar.
   
  Terceiro texto entre as 180 reflexões trazidas por Emmanuel no livro Fonte Viva, inicia conclamando à reflexão sobre os rumos da vida:

Pela fé, o aprendiz do Evangelho é chamado, à sublime herança que lhe é destinada.

   No entanto, o autor espiritual faz-nos recordar de que para atingir a plenitude do que nos está reservado pelo Criador, enfrentaremos muitos revezes e deveremos triunfar:

Quantas vezes seremos constrangidos a pisar sobre espinheiros da calúnia? quantas vezes transitaremos pelo trilho escabroso da incompreensão? Quantos aguaceiros de lágrimas nos alcançarão o espírito? quantas nuvens estarão interpostas, entre o nosso pensamento e o Céu, em largos trechos da senda? Insolúvel a resposta. Importa, contudo, marchar sempre, no caminho interior da própria redenção, sem esmorecimento.

   A novidade trazida por Emmanuel: há um caminho interior da própria redenção. É um caminho pessoal, intransferível. Esse caminho nos trará toda a série de constrangimentos mencionados pelo autor espiritual, para os quais ele sugere tenhamos aceitação e espírito de renovação. Se mantivermos tal atitude, certamente veremos que o caminho é da própria redenção. E estaremos felizes, mesmo na dor, mesmo na dificuldade.
   Os textos de Emmanuel não são apenas belos. Eles são exigentes. Mas talvez seja justamente o que precisamos ler, se quisermos mergulhar outra vez na fonte viva da vida interior.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Fonte Viva

   Livro de Emmanuel, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, contém 180
reflexões encimadas por excertos do evangélicos, e dos atos e epístolas dos apóstolos de Jesus de Nazaré. 

   De seus textos emergem conceitos e revisões de conceitos, sempre possibilitando trazer à prática e à solução de problemas da existência.
  Necessário, contudo ao leitor, meditar e rever conceitos, alinhando-se à possibilidade de praticar tal revisionismo. Sempre encontrará, nos textos de Fonte Viva, a dúlcida elucidação.
   Emmanuel dirige-se, diretamente às nossas posições de acomodação, oportunizando que nos descolemos das situações íntimas de menor esforço.
   Se o leitor tomar atitude de perceber, nos textos emanuelinos, apenas um desfilar razoável de conceituações e interpretações evangélicas, não terá colhido a essência do que eles proporcionam.
   Tomemos como exemplo, o texto nº 1, Ante a Lição:
Ante a exposição da verdade, não te esquives à meditação sobre as  luzes que recebes.
  
   Se enfrentamos sua leitura, indispostos devido a alguma dificuldade pessoal na vivenciação existencial, ou aborrecidos por algum recente insucesso na vida de relação, precisaremos, de antemão, exercitar imediata recordação de que nossos problemas pessoais derivam de nossas atitudes impensadas ou ainda infantis. Se essa aceitação não brota já na primeira frase de Emmanuel, não mergulharemos na essência conceitual que vem logo a seguir, e não acessaremos às soluções práticas sempre oferecidas pelo autor.
   Não reproduziremos aqui todo o raciocínio desenvolvido por Emmanuel na referida lição nº 1, mas abordaremos mais dois aspectos nela contidos:

Inúmeros seguidores do Evangelho se queixam da incapacidade de retenção dos ensinos da Boa Nova, afirmando-se ineptos à frente das novas revelações, e isto porque não dispensam maior trato à lição ouvida, demorando-se longo tempo na província da distração e da leviandade.

   Aí está Emmanuel tocando, justamente, na dificuldade de muitos de nós em retermos a essência do Evangelho. E adita a expressão ‘novas revelações’. O Espiritismo é ciência da alma, e sabe Emmanuel que, sempre haverá novidades no campo do saber ético. Afirma com convicção que tal dificuldade ocorre porque nos demoramos distraídos e agindo levianamente. Novamente, se reagirmos à leitura com indignação, não aproveitaremos o aprendizado que está sendo proposto.
   Mas, convenhamos, quando estamos passando por alguma dificuldade vivencial, é extremamente comum que nos encontremos algo dessensibilizados para o aprendizado de renovação que as situações conflitivas nos ensejam.
   No entanto, pode-se afirmar que a atitude de humildade - se a fizermos renascer dentro de nós durante sua leitura -, nos garantirá o aprendizado libertador.

   Vamos pinçar um terceiro trecho do texto nº 1 do livro Fonte Viva:

Estejamos, pois, convencidos de que, prestando atenção aos apontamentos do Código da Vida Eterna, o Senhor, em retribuição à nossa boa-vontade, dar-nos-á entendimento em tudo.

   Vê, caro leitor, que nos garante Emmanuel podermos entender o que se passa conosco em momento de aflição ou inquietude, e o modo de mudarmos o mundo mental para melhor: teremos o ‘entendimento de tudo’.
   Se não tivermos acessado a compreensão entrevista pelo autor, sempre será interessante lermos novamente o texto todo, com olhos da alma. E veremos.

   

domingo, 15 de abril de 2018

O surgimento da palavra médium

     A palavra medium está incluída no idioma inglês desde o século XVI, conforme se pode ler no link
https://en.oxforddictionaries.com/definition/medium
     Seu significado original no idioma inglês é 'meio', denotando algo intermediário em natureza ou grau. A nova acepção da palavra inglesa medium que irá designar as pessoas intermediárias dos espíritos surgiu dentro do movimento do Espiritualismo Norte-americano.
   O livro 'Mysteries or Glimpses of the Supernatural', escrito por Charles Wyllys Elliott em 1852 nos Estados Unidos, registra a entrevista levada a efeito pelo autor com a Sra. Margaret Rutan Smith Fox em 1º de maio de 1851. A Sra. Fox afirma que deixou a casa alugada em Hydesville e passou a residir com amigos e que, surpreendentemente, onde suas filhas estivessem morando, lá surgiam os ruídos misteriosos. É nesta entrevista que a Sra. Fox novamente menciona a idade de suas filhas: Maggie tinha 15 anos e Katie tinha 12 anos quando, em 31 de março de 1848 deu-se a longa conversação mantida pela Sra. Fox com o espírito batedor.
      Lendo a transcrição desta entrevista no livro de Elliott verificamos a menção à palavra médium para designar a presença obrigatória de determinada pessoa propiciadora da ocorrência dos fenômenos espirituais:  a nora da Sra. Fox, casada com seu filho David, foi por um tempo médium, mas depois esse dom desapareceu. Charles Wyllys Elliott assim se expressa: "médium, ou seja, a denominação que agora tem sido utilizada".
    Encontraremos ainda, um registro mais antigo, em documento assinado na data de 1849,  constante do livro de Capron e Willets:
     "De modo que a questão ainda não está resolvida e apesar de qualificar-se como um fenômeno
notável, quer venha a desaparecer junto com a atual geração, ainda mesmo quando já se compreende a existência das pessoas que são os meios deste extraordinário fenômeno; ou quer venha a dar-se o início de uma nova era de intercâmbio espiritual em todo o mundo, eis aí algo merecedor da atenção das pessoas aproximadas da candura e da filosofia." Assinado: E.W.Capron e George Willets em 8 de dezembro de 1849 (D. M. Dewey, History of the Strange Sounds or Rappings herad in Rochester and Western New-York, Arcade Hall, Rochester, 1850, p. 26)
     Para que não reste dúvida de que o emprego da palavra médium no texto acima citado está a significar 'meio de transmissão', aditamos aqui o texto original encontrado na página 26 referida acima:
     "Thus the matter stands at present, and whether it is a remarkable phenomenon which will pass away with the present generation, or with the persons who seem now to be the medium of this extraordinary communication; or whether it be the commencement of a new era of spiritual influx into the world; it is something worthy of the attention of men of candor and philosophy".
     Talvez tenhamos surpreendido nesse texto de 1849, o início do surgimento de uma nova acepção para a palavra inglesa 'medium', embora tenha sido utilizada ainda como 'meio'. O seu uso frequente terá firmado a nova acepção.
   
 

     

sexta-feira, 30 de março de 2018

Conhecer a si mesmo


    Emmanuel sugere um modo de conhecermos um pouco mais a nós mesmos.
    Sabemos que o Espiritismo faz sugestões práticas para a nossa construção de metodologia nesse sentido. Desde O Livro dos Espíritos, que todos nós sabemos como  sentarmo-nos à cama antes de dormir, e conseguimos que nossa consciência nos auxilie a verificar nos atos do dia, onde faltamos com um dever, e se alguém tem alguma queixa contra nós. Mas sempre vale a pena você ler novamente as recomendações do espírito Santo Agostinho, na questão 919 do primeiro livro fundamental da doutrina espírita.

    O tema das tentações foi muito bem estruturado em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 28, Coletânea de preces espíritas, onde Allan Kardec nos esclarece que pensamentos maus provêm de nossas própria alma, ou de funestas influências que se estejam exercendo sobre nós, mas sempre denotando a fraqueza de nossa imperfeição que permitiu a sintonia.
  No livro ‘Caminho, Verdade e Vida’ psicografado por Francisco Cândido Xavier, Emmanuel nos recorda que “as tentações não procedem da Paternidade Celestial.” Auxilia-nos o autor espiritual, a compreender os conceitos de tentação e atração: “ser tentado é ouvir a malícia própria”.
    E recebemos, nesse texto, a dica de Emmanuel sobre conhecermos um pouco mais a nós mesmos – basta observarmos ao final do dia, o que nos atraiu entre situações e coisas.
    “Recorda-te de que cada dia tem situações magnéticas específicas. Considera a essência de tudo o que te atraiu no curso das horas e eliminarás os males próprios, atendendo ao bem que Jesus deseja.”



terça-feira, 6 de março de 2018

Rosto de Jesus em 3D


 A imagem à esquerda foi produzida por especialistas em computação gráfica no ano de 2010.
 A imagem à direita é uma pintura feita por Akiane Kramarik, alguns anos antes que os especialistas recompusessem a imagem da face retratada no Santo Sudário, que muitos acreditam ser o rosto de Jesus Cristo. O Sudário de Turim é uma peça de linho que mostra a imagem de um homem que pode ter sofrido traumatismos físicos semelhantes ao que sofre um crucificado. Guardado na Catedral de  Turim, na Itália, raramente é exibido ao público.   Os artistas gráficos tiveram acesso ao Santo Sudário, uma peça de linho que muitos cristãos acreditam ter sido usada para cobrir o corpo de Jesus após a crucificação. Sua autenticidade é debatida há anos por cientistas. O tecido traz uma imagem fantasmagórica do corpo de um homem que foi crucificado.
    O artista de computação gráfica Ray Downing, que participou do projeto, é o mesmo que recriou em 3D o rosto do ex-presidente americano Abraham Lincoln, usando mais de cem fotos.
  De acordo com Downing e com John Jackson, físico da universidade americana do Colorado que estuda o Santo Sudário desde 1978, a relíquia é singular, pois ela contém dados em três dimensões sobre o corpo da pessoa que foi enterrada.
   Isso acontece porque o Santo Sudário foi enrolado em todo o corpo, em vez de apenas cobrir a face.
   "A presença de dados em três dimensões é bastante inesperada e também é única", diz Downing. "É como se a imagem contivesse um manual de instruções sobre como se construir uma escultura."
   O Santo Sudário, que pertence ao Vaticano, fica guardado na Cappella della Sacra Sindone do Palácio Real de Turim, na Itália.


Akiane Kramarik é uma artista norte-americana, nascida em 9 de julho de 1994. Começou a desenhar aos quatro anos de idade e pintar aos seis.
   Os pais de Akiane são ateus, mas ela pinta inspirada em visões que obtém dos céus. A inspiração para sua arte vem de suas visões, sonhos, observações das pessoas, da natureza e de Deus, sempre com o objetivo de inspirar outras pessoas a seguirem o dom dado por Deus.
   Seu método de pintura favorito é o acrílico para as figuras inteiras, e o óleo para retratos grandes. Akiane levanta todos os dias às 4 da manhã para iniciar suas pinturas. Cada um de seus trabalhos lhe exige centenas de horas. Ela conclui de 8 a 20 trabalhos por ano. 

  
Fonte:

http;//www.bbb.com/portuguese/ciencia/2010/04/100401_rosto_jesus_dg.sthml 
 visitado em 15/02/2016

A idade das jovens irrnãs Fox

   A questão envolvendo as idades das jovens Kate e Maggie, por ocasião dos fenômenos ocorridos
entre os dias 31 de março e 04 de abril de 1848 pode ser facilmente resolvida quando voltamos nossa atenção ao livro lançado no mês de maio daquele ano, intitulado 'Ruídos Misteriosos na Casa de John Fox'. Seu autor, Ebenezer E. Lewis, advogado e reporter, aprestou-se a viajar assim que as notícias chegaram à cidade de Canandaigua. A primeira pessoa que entrevistou em Hydesville foi a Sra Margaret Fox, no dia 11 de abril, o que nos leva a entender porque Ebenezer não se tornou uma das testemunhas do fenômeno: chegara muito tarde, e o espírito batedor somente se pronunciaria novamente semanas mais tarde, na casa de David Fox, quando Ebenezer já tinha se dirigido a Rochester para contratar uma editora.
    O depoimento de Margaret Fox é taxativo a respeito da idade das filhas:
"A minha filha mais nova de 12 anos resolveu fazer vários barulhos com as mãos. No mesmo instante em que ela fazia um som, ora com os dedos, ora com as mãos, acontecia uma repetição do ruído no quarto. Era sempre a mesma batida, só que agora repetia o mesmo número de sons que ela fazia. Quando ela parou de fazer esses sons, o ruído também silenciou. Minha outra filha de 15 anos resolveu experimentar de brincadeira, e batendo palmas disse: agora faça como eu faço - conte um, dois, três, quatro!  Os sons que ela produziu foram repetidos pelos ruídos e tínhamos certeza que ele estava respondendo para ela, pois repetia todas as palmas que ela batia."
    No entanto, livros sobre o Espiritualismo e o Espiritismo posteriores a 1848 mencionarão números diferentes. Ocorre que o livro de Ebenezer, tendo sido editado apenas uma única vez e com pequena tiragem, tornou-se praticamente inacessível à maioria dos pesquisadores e historiadores.

   No link abaixo, você encontra o livro 'A Família Fox e o Espiritismo'.

https://play.google.com/store/books/details/Osvaldo_Camargo_Br%C3%A4scher_A_Fam%C3%ADlia_Fox_e_o_Espirit?id=X5dPDwAAQBAJ

domingo, 4 de março de 2018

Angel Aguarod e a divulgação

   Compulsando a Biografia de Angel Aguarod (1) encontramos elementos que nos permitem resumir
traços deste importante trabalhador espírita.
   Nasceu na Espanha em 1860, em família católica, e foi um dos fundadores de um colégio de ensino inovador, com características educacionais desconectadas das estruturas religiosas, demonstrando, bem jovem ainda, a característica de pensamento independente que busca experimentar e conhecer por si mesmo. Ainda na Espanha irá tornar-se espírita, trabalhando operosamente em vários veículos de divulgação, e colaborando na fundação de novos núcleos.
   Transferiu-se para a América do Sul, empreendendo a mesma jornada de expansão do Espiritismo na Argentina, Uruguai e Paraguai, radicando-se definitivamente no Brasil. Colaborou decisivamente para o surgimento da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, fundada em 1921.
   Desencarnou em 1932, aos 72 anos de idade, na cidade de Porto Alegre.
   Em 1976 e e 1978 expressou-se espiritualmente através da médium Cecilia Rocha, conclamando os espíritas a reunirem-se em torno de uma frente de ação que denominou, inicialmente 'plano amplo', e posteriormente, 'grande campanha'.
   "Cabe, pois, aos espíritas, responsáveis pelo Movimento Espírita, uma ampla tarefa de divulgação das obras básicas da Doutrina Espírita, vendo um estudo sistemático, com chamada de atenção para os aspectos que estão colocados à margem, com graves prejuízos para a assimilação corretas dos princípios e bases do Espiritismo e de sua missão.
   "Recomendaríamos, portanto, o estudo de um amplo plano no sentido de esclarecer os mais responsáveis pela dinamização do Movimento Espírita, da importância do estudo, da interpretação e da vivência do Espiritismo". (2)

  "Não é possível erigir um monumento doutrinário, como é o da Revelação Espírita, deixando-nos levar, a cada dia, por ideias que sopram de todos os lados, sem direção, qual vendavel que tudo derruba na sua passagem.
   "Estamos sendo alertados do plano Mais Alto sobre esse aspecto do nosso Movimento, pois dizem nossos superiores, se não nos fizermos vigilantes nesse sentido, em pouco tempo, o Movimento Espírita, embora conservando o nome, nada terá de Espiritismo.
   "Reiterando despretensiosa sugestão, recomendaríamos uma grande campanha, para usar nomenclatura moderna, em torno da importância do estudo das obras básicas da Doutrina Espírita." (3)

   No ano da segunda mensagem de Angel Aguarod, a Federação Espírita do Rio Grande do Sul implantou no Estado sua "Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita nas Sociedades Federadas". (4)

(1) http://www.febnet.org.br/ba/file/Pesquisa/Textos/Angel%20Aguarod.pdf  (visitado em 04/03/2018 às 13:01
(2), (3) https://docslide.com.br/documents/mensagem-angel-aguarod.html
(4) Orientação para o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita ESDE, Carlos Campetti, Iracema Fernandes, Maria do Socorro de Sousa Rodrigues, Marlene Oliveira, Maratha Regina de Melo, Sônia Arruda, FEB, 2014, copyright 2014, 2ª edição  2015, p. 38

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O Livro dos Espíritos e os espíritas

    O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, nos esclarece a respeito dos objetivos da ciência espírita:
A ciência espírita compreende duas partes: experimental uma, relativa às manifestações em geral; filosófica, outra, relativa às manifestações inteligentes.(1)
    Toda ciência que não leva a amar é uma ciência estéril, afirma Raquel Mendes Miguel (2), citando Léon Denis (3), categorizando a junção de filosofia e ciência como um aspecto científico peculiar. 
    Como, entretanto, confirmar que o Espiritismo é uma ciência? Bastará que Kardec assim o tenha afirmado, ou poderemos recorrer às ciências para confirmá-lo? Segundo Silvio Seno Chibeni (4), à área denominada Filosofia da Ciência confirma que o Espiritismo é uma ciência porque tem "um núcleo rígido de hipóteses teóricas básicas, suplementado por um cinturão protetor de hipóteses auxiliares que serve para ligar e ajustar o núcleo aos fenômenos de que a ciência [espírita] trata". Chibeni esclarece ainda, que toda ciência precisa de um programa de pesquisa progressivo que "leve sistematicamente à descoberta de novos fatos", caso contrário a doutrina deixará de ser ciência.
    Talvez possamos pensar com Allan Kardec (5) , que se os espíritas encarnados não realizarem seus compromissos perante a doutrina espírita, ela deixará de ser ciência, pois "Os Espíritos não se manifestam para libertar do estudo e das pesquisas o homem, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma ciência. Com relação ao que o homem pode achar por si mesmo, eles o deixam entregue às suas próprias forças." 

Fontes:
1.  KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos, Introdução, item XVII, FEB, 9ª edição, p. 46
2. MIGUEL, Raquel Mendes, Questão Ambiental à Luz do Espiritismo - Um novo olhar para superação da crise, Biblioteca 24 horas, 2014, p. 53
3.  DENIS, Léon. No Invisível, FEB, 1919
4.  CHIBENI, Silvio Seno, A excelência metodológica do Espiritismo, Reformador, FEB, novembro 1988, pp. 328-333
5.  KARDEC, Allan, A Gênese, cap. 1, item 60, FEB, p. 64

sábado, 10 de fevereiro de 2018

O que temos feito do Espiritismo

  O Espiritismo que temos feito, está distante do que o Espiritismo pode ser. Lembremos aqui a
frase de Léon Denis (1846-1927): "O Espiritismo será o que os homens dele fizerem". É na expectativa de que os espíritas encarnados enverguem a condução da progressividade da doutrina, que se firma a esperança de melhores realizações.
   O modelo de centro espírita baseado em palestra e imposição de mãos não proporciona aos corações e mentes acercarem-se com profundidade da programática libertadora anunciada pela reforma íntima. Precisaríamos criar condições para o aprimoramento do esclarecimento ensejado nos grupos de estudo, ampliando a troca de impressões de primeira leitura suscitadas entre os neófitos e opiniões pessoais requisitadas aos experientes, ausentes todos de uma metodologia de catalogação para o aprimoramento dessas mesmas impressões e experiências que venha a contribuir com efetividade no aprimoramento das relações individuais da mente com a consciência e das atividades coletivas na casa espírita.
   Enquanto os centros espíritas não se reconhecerem a si mesmos como unidades fundamentais da progressividade da doutrina, estaremos atuando de forma muito resumida para a construção permanente do conhecimento espírita.
   Exemplifiquemos com outra referência ao mestre Léon Denis, no tocante à possibilidade de melhoramento da eficácia da atividade de imposição de mãos que se segue às exposições doutrinárias:
   "A vontade de aliviar e curar comunica ao fluido magnético propriedades curativas. O remédio para os nossos males está em nós. Um homem bom e sadio pode atuar sobre os seres débeis e enfermiços, regenerá-los por meio de sopro, pela imposição de mãos e mesmo mediante objetos impregnados da sua energia. Opera-se mais frequentemente por meio de gestos, denominados passes, rápidos ou lentos, longitudinais ou transversais, conforme o efeito, calmante ou excitante, que se quer produzir nos doentes" (livro 'No Invisível').
   Alguns hospitais espíritas nos quais a cura utiliza as propriedades do fluido magnético, são, entre as duas dezenas milhares de instituições espíritas, os únicos estabelecimentos que atrevem-se a dar consecução a este aspecto do Cristianismo Redivivo, que indica pregar e curar, conforme assinalam as anotações evangélicas de Mateus em seu capítulo 10, 7-8: 
     "E, à medida que seguirdes, pregai esta mensagem: O Reino dos Céus está a vosso alcance! Curai enfermos, purificai leprosos, ressuscitai mortos, expulsai espíritos inferiores. Graciosamente recebestes, graciosamente dai."


domingo, 21 de janeiro de 2018

A prece é uma evocação

O texto a seguir consta de ‘O Livro da Prece’, de L. Palhano Jr.
L. Palhano Jr
   
   "Na verdade, o Espiritismo nos faz compreender como a prece funciona, explicando seus mecanismos: “A prece é uma evocação. Por ela um ser se coloca em comunicação mental com o outro ser ao qual se dirige.”
    "Em relação a coisas materiais também é possível que se façam preces, dependendo dos objetivos, que não devem ser infantis. Como por exemplo, citaremos a vez em que a nossa equipe de espíritas que estava organizando o 2º Congresso Espírita do Estado do Espírito Santo verificou que havia necessidade de uma copiadora para agilizar os trabalhos de divulgação, mas não havia verba disponível para a compra de tal aparelho. O diretor dos trabalhos, em reunião administrativa, propôs que fossem feitas preces para que a tal copiadora fosse conseguida. Ela seria muito importante e agilizaria de fato toda a tarefa de propaganda e de informações aos espíritas. naquela noite, os companheiros oraram, pedindo a Deus que nos abençoasse com uma pequena copiadora para facilitar os trabalhos de secretaria. Dois dias depois, o coordenador do Congresso recebeu um telefonema. O assunto era copiadora. Um senhor, simpatizante do Espiritismo, recondicionador de copiadoras, soube, por intermédio de sua secretária, que estávamos precisando de uma copiadora. Ele possuía uma, recondicionada, e nos venderia pela metade do preço e ainda nos daria toda assistência, visto que sabia para que finalidade precisávamos da máquina. Foi pedido a ele que telefonasse no outro dia, pois seria verificado se havia verba disponível. Contávamos apenas dois terços do valor necessário. Lembramos que, talvez, os dirigentes do Centro Espírita Henrique José de Mello pudessem ajudar e telefonamos para eles. Cederam a quantia complementar e a copiadora foi adquirida três dias depois das preces."


Fonte: O Livro da Prece, L. Palhano Jr., Editora Lachâtre, 4ª edição, p. 61  

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Daniel Dunglas Home e São Cupertino

 O item 16 de O Livro dos Médiuns menciona os fenômenos de levitação produzidos pelo médium Daniel Dunglas Home e por São Cupertino.
  Encontramos notícias biográficas de Home na Revista Espírita. O trecho a seguir permite conhecer o conceito estabelecido por Allan Kardec para os médiuns ostensivos - aqueles que produzem fenômenos físicos:   
  

O Sr. Daniel Dunglas Home nasceu perto de Edimburgo no dia 15 de março de 1833. Tem, pois, hoje 24 anos. (...) O Sr. Home é um médium do gênero dos que produzem manifestações ostensivas, sem, por isso, excluir as comunicações inteligentes; contudo, as suas predisposições naturais lhe dão para as primeiras uma aptidão mais especial. Sob sua influência, ouvem-se os mais estranhos ruídos, o ar se agita, os corpos sólidos se movem, levantam-se, transportam-se de um lugar a outro no espaço, instrumentos de música produzem sons melodiosos, seres do mundo extracorpóreo aparecem, falam, escrevem e, frequentemente, vos abraçam até causar dor. Na presença de testemunhas oculares, muitas vezes ele mesmo se viu elevado no ar, sem qualquer apoio e a vários metros de altura. (Revista Espírita, Allan Kardec, fevereiro de 1858, p.103-104)


  São José de Cupertino (1603-1663) ficou conhecido como o santo voador. Nascido no pobre vilarejo de Cupertino, no sul da Itália, foi um rapaz de bom coração, mas com problemas de aprendizado e dificuldade de se expressar. Por isso, é visto com desprezo pelos outros. Sua mãe, preocupada com o futuro do filho, implora ao irmão frade que o aceite no mosteiro dos franciscanos. Sua mãe, preocupada com o futuro do filho, implora ao irmão frade que o aceite no mosteiro dos franciscanos. Lá, o inocente José irá surpreender a todos com seu amor pelos animais, seu zelo para com os estudos apesar de em toda sua vida carregar imensas dificuldades na área do discernimento e da memória.Valeram-lhe o reconhecimento de sua verdadeira piedade e vocação sacerdotal e as mui frequentes ocorrências de levitação. Deve-se registrar também, as respostas inflamadas de inspiração que denunciavam extraordinária sabedoria nos momentos em que era interrogado acerca de difíceis questões teológicas.

  O filme de São Cupertino, o padre voador, pode ser assistido em 



quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

As manifestações espirituais coletivas

  Em O Livro dos Médiuns, item 11, Allan Kardec relaciona ocorrências mediúnicas coletivas: os Fanáticos de Cevenas, os Convulsionários de Saint-Médard e as Religiosas de Loudun.
  Podemos com nitidez verificar a sequência histórica que essas ocorrências com o surgimento das doutrinas religiosas, filosóficas e científicas do Espiritualismo Norte-Americano e do Espiritismo.

OS FANÁTICOS DAS CEVENAS
Jovens extáticos lideram reação protestante

 O seu surgimento deveu-se às ações intempestivas de Luis XI (1638-1715) após decidir pela unificação de seu país em torno de uma única religião – a Católica. Com uma população de 20 milhões de habitantes, dos quais apenas um milhão eram protestantes, o Rei decide invadir a região do Languedoc que reunindo 200.000 huguenotes no sul da França, contava com uma economia em expansão graças à indústria têxtil. (1). 
 A partir de 1685, aldeias inteiras foram massacradas e queimadas em uma série de atrocidades impressionantes. Os ministros religiosos huguenotes expulsos serão substituídos na comunidade huguenote por pregadores iniciantes, inexperientes e místicos. Em breve, na região das montanhas das Cevenas, quinhentos jovens com idades entre onze e quinze anos, alevantados pelo clamor contra as injustiças, caíam em êxtase e recitavam profecias bíblicas, sofrendo tremores físicos e desmaios.

 Muitos deles lançavam-se então a falar contra a Igreja, afirmando que estavam prevendo a queda do Papa.
 Em 1706 alguns desses profetas foram para a Inglaterra, onde continuou a manifestar-se o espírito de profecia e até o final do ano já tinham trezentos seguidores ingleses e um total de quinhentas profecias já tinham sido pronunciadas. Eles serão responsáveis pelo ressurgimento do movimento Quaker na Inglaterra, em uma segunda versão mais acirrada que os tornará denominados pela expressão Shakers.

QUAKERS
Reunião quaker: silêncio buscando inspiração

George Fox (1624-1691) é o criador do movimento Quaker. George reúne os amigos e forma uma nova seita inicialmente denominada Sociedade dos Amigos. Agrupados em silêncio, meditavam e aguardavam inspirações. Passaram a ser chamados de quakers devido às fervorosas atitudes oracionais conjugadas que os faziam tremer. Entre suas crenças, os quakers  prezam pelas ações pacifistas e beneficentes(2).
Quando o movimento do Novo Espiritualismo eclodiu nos Estados Unidos, as comunidades quakers norte-americanas, conhecedoras  da mediunidade, apoiaram a família  Fox.
A primeira grande reunião pública com demonstrações de mediunidade deu-se nessa cidade, ao final do ano de 1849, em um salão denominado Corinthian Hall, quando alguns ativistas espiritualistas foram designados pelos espíritos em uma sessão do círculo da casa de Leah Fox, para apresentarem-se perante o público. Três dos ativistas convocados pelos espíritos superiores eram quakers: George Willets e seu primo Isaac Post, e Capron (3)


SHAKERS 
Shajers e a mediunidade sem controle

Da França, cinco profetas fogem das perseguições deflagradas contra os protestantes nas montanhas das Cevenas e internam-se na Inglaterra no ano de 1706, misturando-se com os quakers ingleses. A chegada dos convulsionários franceses reaviva o movimento quaker e em 1747 surge um novo grupo de religiosos tremedores na Inglaterra: os shakers. Eles não apenas tremiam durante o transe mediúnico, mas entravam em convulsão. Shakers em Inglês significa sacudidor, convulsionário. Uma vez transferidos para as colônias norte-americanas, os shakers progrediram em número fazendo conversões e adotando crianças órfãs. As comunidades shakers instalaram-se em áreas rurais, aonde dedicavam-se ao trabalho agrícola e uso em comum de seus recursos.

Fontes:
(1) Emmanuel Le Roy Ladurie, ‘Huguenots contre Papistes’, in Philippe Wolff (ed.), Histoire du Languedoc (Toulouse: Privat, 1967, reprinted 1990), pp. 337-339, 348.
(2) George Fox Friends, A Journal of Historical account, Book Store, p. 56

(3) Radical Spirits: Spiritualism and Women’s Rights in Nineteenth-Century America, Ann Braude, 2.edition, Indiana University Press, 2001, p. 15
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