domingo, 15 de abril de 2018

O surgimento da palavra médium

     A palavra medium está incluída no idioma inglês desde o século XVI, conforme se pode ler no link
https://en.oxforddictionaries.com/definition/medium
     Seu significado original no idioma inglês é 'meio', denotando algo intermediário em natureza ou grau. A nova acepção da palavra inglesa medium que irá designar as pessoas intermediárias dos espíritos surgiu dentro do movimento do Espiritualismo Norte-americano.
   O livro 'Mysteries or Glimpses of the Supernatural', escrito por Charles Wyllys Elliott em 1852 nos Estados Unidos, registra a entrevista levada a efeito pelo autor com a Sra. Margaret Rutan Smith Fox em 1º de maio de 1851. A Sra. Fox afirma que deixou a casa alugada em Hydesville e passou a residir com amigos e que, surpreendentemente, onde suas filhas estivessem morando, lá surgiam os ruídos misteriosos. É nesta entrevista que a Sra. Fox novamente menciona a idade de suas filhas: Maggie tinha 15 anos e Katie tinha 12 anos quando, em 31 de março de 1848 deu-se a longa conversação mantida pela Sra. Fox com o espírito batedor.
      Lendo a transcrição desta entrevista no livro de Elliott verificamos a menção à palavra médium para designar a presença obrigatória de determinada pessoa propiciadora da ocorrência dos fenômenos espirituais:  a nora da Sra. Fox, casada com seu filho David, foi por um tempo médium, mas depois esse dom desapareceu. Charles Wyllys Elliott assim se expressa: "médium, ou seja, a denominação que agora tem sido utilizada".
    Encontraremos ainda, um registro mais antigo, em documento assinado na data de 1849,  constante do livro de Capron e Willets:
     "De modo que a questão ainda não está resolvida e apesar de qualificar-se como um fenômeno
notável, quer venha a desaparecer junto com a atual geração, ainda mesmo quando já se compreende a existência das pessoas que são os meios deste extraordinário fenômeno; ou quer venha a dar-se o início de uma nova era de intercâmbio espiritual em todo o mundo, eis aí algo merecedor da atenção das pessoas aproximadas da candura e da filosofia." Assinado: E.W.Capron e George Willets em 8 de dezembro de 1849 (D. M. Dewey, History of the Strange Sounds or Rappings herad in Rochester and Western New-York, Arcade Hall, Rochester, 1850, p. 26)
     Para que não reste dúvida de que o emprego da palavra médium no texto acima citado está a significar 'meio de transmissão', aditamos aqui o texto original encontrado na página 26 referida acima:
     "Thus the matter stands at present, and whether it is a remarkable phenomenon which will pass away with the present generation, or with the persons who seem now to be the medium of this extraordinary communication; or whether it be the commencement of a new era of spiritual influx into the world; it is something worthy of the attention of men of candor and philosophy".
     Talvez tenhamos surpreendido nesse texto de 1849, o início do surgimento de uma nova acepção para a palavra inglesa 'medium', embora tenha sido utilizada ainda como 'meio'. O seu uso frequente terá firmado a nova acepção.
   
 

     

terça-feira, 6 de março de 2018

Rosto de Jesus em 3D


 A imagem à esquerda foi produzida por especialistas em computação gráfica no ano de 2010.
 A imagem à direita é uma pintura feita por Akiane Kramarik, alguns anos antes que os especialistas recompusessem a imagem da face retratada no Santo Sudário, que muitos acreditam ser o rosto de Jesus Cristo. O Sudário de Turim é uma peça de linho que mostra a imagem de um homem que pode ter sofrido traumatismos físicos semelhantes ao que sofre um crucificado. Guardado na Catedral de  Turim, na Itália, raramente é exibido ao público.   Os artistas gráficos tiveram acesso ao Santo Sudário, uma peça de linho que muitos cristãos acreditam ter sido usada para cobrir o corpo de Jesus após a crucificação. Sua autenticidade é debatida há anos por cientistas. O tecido traz uma imagem fantasmagórica do corpo de um homem que foi crucificado.
    O artista de computação gráfica Ray Downing, que participou do projeto, é o mesmo que recriou em 3D o rosto do ex-presidente americano Abraham Lincoln, usando mais de cem fotos.
  De acordo com Downing e com John Jackson, físico da universidade americana do Colorado que estuda o Santo Sudário desde 1978, a relíquia é singular, pois ela contém dados em três dimensões sobre o corpo da pessoa que foi enterrada.
   Isso acontece porque o Santo Sudário foi enrolado em todo o corpo, em vez de apenas cobrir a face.
   "A presença de dados em três dimensões é bastante inesperada e também é única", diz Downing. "É como se a imagem contivesse um manual de instruções sobre como se construir uma escultura."
   O Santo Sudário, que pertence ao Vaticano, fica guardado na Cappella della Sacra Sindone do Palácio Real de Turim, na Itália.


Akiane Kramarik é uma artista norte-americana, nascida em 9 de julho de 1994. Começou a desenhar aos quatro anos de idade e pintar aos seis.
   Os pais de Akiane são ateus, mas ela pinta inspirada em visões que obtém dos céus. A inspiração para sua arte vem de suas visões, sonhos, observações das pessoas, da natureza e de Deus, sempre com o objetivo de inspirar outras pessoas a seguirem o dom dado por Deus.
   Seu método de pintura favorito é o acrílico para as figuras inteiras, e o óleo para retratos grandes. Akiane levanta todos os dias às 4 da manhã para iniciar suas pinturas. Cada um de seus trabalhos lhe exige centenas de horas. Ela conclui de 8 a 20 trabalhos por ano. 

  
Fonte:

http;//www.bbb.com/portuguese/ciencia/2010/04/100401_rosto_jesus_dg.sthml 
 visitado em 15/02/2016

A idade das jovens irrnãs Fox

   A questão envolvendo as idades das jovens Kate e Maggie, por ocasião dos fenômenos ocorridos
entre os dias 31 de março e 04 de abril de 1848 pode ser facilmente resolvida quando voltamos nossa atenção ao livro lançado no mês de maio daquele ano, intitulado 'Ruídos Misteriosos na Casa de John Fox'. Seu autor, Ebenezer E. Lewis, advogado e reporter, aprestou-se a viajar assim que as notícias chegaram à cidade de Canandaigua. A primeira pessoa que entrevistou em Hydesville foi a Sra Margaret Fox, no dia 11 de abril, o que nos leva a entender porque Ebenezer não se tornou uma das testemunhas do fenômeno: chegara muito tarde, e o espírito batedor somente se pronunciaria novamente semanas mais tarde, na casa de David Fox, quando Ebenezer já tinha se dirigido a Rochester para contratar uma editora.
    O depoimento de Margaret Fox é taxativo a respeito da idade das filhas:
"A minha filha mais nova de 12 anos resolveu fazer vários barulhos com as mãos. No mesmo instante em que ela fazia um som, ora com os dedos, ora com as mãos, acontecia uma repetição do ruído no quarto. Era sempre a mesma batida, só que agora repetia o mesmo número de sons que ela fazia. Quando ela parou de fazer esses sons, o ruído também silenciou. Minha outra filha de 15 anos resolveu experimentar de brincadeira, e batendo palmas disse: agora faça como eu faço - conte um, dois, três, quatro!  Os sons que ela produziu foram repetidos pelos ruídos e tínhamos certeza que ele estava respondendo para ela, pois repetia todas as palmas que ela batia."
    No entanto, livros sobre o Espiritualismo e o Espiritismo posteriores a 1848 mencionarão números diferentes. Ocorre que o livro de Ebenezer, tendo sido editado apenas uma única vez e com pequena tiragem, tornou-se praticamente inacessível à maioria dos pesquisadores e historiadores.

   No link abaixo, você encontra o livro 'A Família Fox e o Espiritismo'.

https://play.google.com/store/books/details/Osvaldo_Camargo_Br%C3%A4scher_A_Fam%C3%ADlia_Fox_e_o_Espirit?id=X5dPDwAAQBAJ

domingo, 4 de março de 2018

Angel Aguarod e a divulgação

   Compulsando a Biografia de Angel Aguarod (1) encontramos elementos que nos permitem resumir
traços deste importante trabalhador espírita.
   Nasceu na Espanha em 1860, em família católica, e foi um dos fundadores de um colégio de ensino inovador, com características educacionais desconectadas das estruturas religiosas, demonstrando, bem jovem ainda, a característica de pensamento independente que busca experimentar e conhecer por si mesmo. Ainda na Espanha irá tornar-se espírita, trabalhando operosamente em vários veículos de divulgação, e colaborando na fundação de novos núcleos.
   Transferiu-se para a América do Sul, empreendendo a mesma jornada de expansão do Espiritismo na Argentina, Uruguai e Paraguai, radicando-se definitivamente no Brasil. Colaborou decisivamente para o surgimento da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, fundada em 1921.
   Desencarnou em 1932, aos 72 anos de idade, na cidade de Porto Alegre.
   Em 1976 e e 1978 expressou-se espiritualmente através da médium Cecilia Rocha, conclamando os espíritas a reunirem-se em torno de uma frente de ação que denominou, inicialmente 'plano amplo', e posteriormente, 'grande campanha'.
   "Cabe, pois, aos espíritas, responsáveis pelo Movimento Espírita, uma ampla tarefa de divulgação das obras básicas da Doutrina Espírita, vendo um estudo sistemático, com chamada de atenção para os aspectos que estão colocados à margem, com graves prejuízos para a assimilação corretas dos princípios e bases do Espiritismo e de sua missão.
   "Recomendaríamos, portanto, o estudo de um amplo plano no sentido de esclarecer os mais responsáveis pela dinamização do Movimento Espírita, da importância do estudo, da interpretação e da vivência do Espiritismo". (2)

  "Não é possível erigir um monumento doutrinário, como é o da Revelação Espírita, deixando-nos levar, a cada dia, por ideias que sopram de todos os lados, sem direção, qual vendavel que tudo derruba na sua passagem.
   "Estamos sendo alertados do plano Mais Alto sobre esse aspecto do nosso Movimento, pois dizem nossos superiores, se não nos fizermos vigilantes nesse sentido, em pouco tempo, o Movimento Espírita, embora conservando o nome, nada terá de Espiritismo.
   "Reiterando despretensiosa sugestão, recomendaríamos uma grande campanha, para usar nomenclatura moderna, em torno da importância do estudo das obras básicas da Doutrina Espírita." (3)

   No ano da segunda mensagem de Angel Aguarod, a Federação Espírita do Rio Grande do Sul implantou no Estado sua "Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita nas Sociedades Federadas". (4)

(1) http://www.febnet.org.br/ba/file/Pesquisa/Textos/Angel%20Aguarod.pdf  (visitado em 04/03/2018 às 13:01
(2), (3) https://docslide.com.br/documents/mensagem-angel-aguarod.html
(4) Orientação para o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita ESDE, Carlos Campetti, Iracema Fernandes, Maria do Socorro de Sousa Rodrigues, Marlene Oliveira, Maratha Regina de Melo, Sônia Arruda, FEB, 2014, copyright 2014, 2ª edição  2015, p. 38

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O Livro dos Espíritos e os espíritas

    O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, nos esclarece a respeito dos objetivos da ciência espírita:
A ciência espírita compreende duas partes: experimental uma, relativa às manifestações em geral; filosófica, outra, relativa às manifestações inteligentes.(1)
    Toda ciência que não leva a amar é uma ciência estéril, afirma Raquel Mendes Miguel (2), citando Léon Denis (3), categorizando a junção de filosofia e ciência como um aspecto científico peculiar. 
    Como, entretanto, confirmar que o Espiritismo é uma ciência? Bastará que Kardec assim o tenha afirmado, ou poderemos recorrer às ciências para confirmá-lo? Segundo Silvio Seno Chibeni (4), à área denominada Filosofia da Ciência confirma que o Espiritismo é uma ciência porque tem "um núcleo rígido de hipóteses teóricas básicas, suplementado por um cinturão protetor de hipóteses auxiliares que serve para ligar e ajustar o núcleo aos fenômenos de que a ciência [espírita] trata". Chibeni esclarece ainda, que toda ciência precisa de um programa de pesquisa progressivo que "leve sistematicamente à descoberta de novos fatos", caso contrário a doutrina deixará de ser ciência.
    Talvez possamos pensar com Allan Kardec (5) , que se os espíritas encarnados não realizarem seus compromissos perante a doutrina espírita, ela deixará de ser ciência, pois "Os Espíritos não se manifestam para libertar do estudo e das pesquisas o homem, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma ciência. Com relação ao que o homem pode achar por si mesmo, eles o deixam entregue às suas próprias forças." 

Fontes:
1.  KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos, Introdução, item XVII, FEB, 9ª edição, p. 46
2. MIGUEL, Raquel Mendes, Questão Ambiental à Luz do Espiritismo - Um novo olhar para superação da crise, Biblioteca 24 horas, 2014, p. 53
3.  DENIS, Léon. No Invisível, FEB, 1919
4.  CHIBENI, Silvio Seno, A excelência metodológica do Espiritismo, Reformador, FEB, novembro 1988, pp. 328-333
5.  KARDEC, Allan, A Gênese, cap. 1, item 60, FEB, p. 64

sábado, 10 de fevereiro de 2018

O que temos feito do Espiritismo

  O Espiritismo que temos feito, está distante do que o Espiritismo pode ser. Lembremos aqui a
frase de Léon Denis (1846-1927): "O Espiritismo será o que os homens dele fizerem". É na expectativa de que os espíritas encarnados enverguem a condução da progressividade da doutrina, que se firma a esperança de melhores realizações.
   O modelo de centro espírita baseado em palestra e imposição de mãos não proporciona aos corações e mentes acercarem-se com profundidade da programática libertadora anunciada pela reforma íntima. Precisaríamos criar condições para o aprimoramento do esclarecimento ensejado nos grupos de estudo, ampliando a troca de impressões de primeira leitura suscitadas entre os neófitos e opiniões pessoais requisitadas aos experientes, ausentes todos de uma metodologia de catalogação para o aprimoramento dessas mesmas impressões e experiências que venha a contribuir com efetividade no aprimoramento das relações individuais da mente com a consciência e das atividades coletivas na casa espírita.
   Enquanto os centros espíritas não se reconhecerem a si mesmos como unidades fundamentais da progressividade da doutrina, estaremos atuando de forma muito resumida para a construção permanente do conhecimento espírita.
   Exemplifiquemos com outra referência ao mestre Léon Denis, no tocante à possibilidade de melhoramento da eficácia da atividade de imposição de mãos que se segue às exposições doutrinárias:
   "A vontade de aliviar e curar comunica ao fluido magnético propriedades curativas. O remédio para os nossos males está em nós. Um homem bom e sadio pode atuar sobre os seres débeis e enfermiços, regenerá-los por meio de sopro, pela imposição de mãos e mesmo mediante objetos impregnados da sua energia. Opera-se mais frequentemente por meio de gestos, denominados passes, rápidos ou lentos, longitudinais ou transversais, conforme o efeito, calmante ou excitante, que se quer produzir nos doentes" (livro 'No Invisível').
   Alguns hospitais espíritas nos quais a cura utiliza as propriedades do fluido magnético, são, entre as duas dezenas milhares de instituições espíritas, os únicos estabelecimentos que atrevem-se a dar consecução a este aspecto do Cristianismo Redivivo, que indica pregar e curar, conforme assinalam as anotações evangélicas de Mateus em seu capítulo 10, 7-8: 
     "E, à medida que seguirdes, pregai esta mensagem: O Reino dos Céus está a vosso alcance! Curai enfermos, purificai leprosos, ressuscitai mortos, expulsai espíritos inferiores. Graciosamente recebestes, graciosamente dai."


domingo, 21 de janeiro de 2018

A prece é uma evocação

O texto a seguir consta de ‘O Livro da Prece’, de L. Palhano Jr.
L. Palhano Jr
   
   "Na verdade, o Espiritismo nos faz compreender como a prece funciona, explicando seus mecanismos: “A prece é uma evocação. Por ela um ser se coloca em comunicação mental com o outro ser ao qual se dirige.”
    "Em relação a coisas materiais também é possível que se façam preces, dependendo dos objetivos, que não devem ser infantis. Como por exemplo, citaremos a vez em que a nossa equipe de espíritas que estava organizando o 2º Congresso Espírita do Estado do Espírito Santo verificou que havia necessidade de uma copiadora para agilizar os trabalhos de divulgação, mas não havia verba disponível para a compra de tal aparelho. O diretor dos trabalhos, em reunião administrativa, propôs que fossem feitas preces para que a tal copiadora fosse conseguida. Ela seria muito importante e agilizaria de fato toda a tarefa de propaganda e de informações aos espíritas. naquela noite, os companheiros oraram, pedindo a Deus que nos abençoasse com uma pequena copiadora para facilitar os trabalhos de secretaria. Dois dias depois, o coordenador do Congresso recebeu um telefonema. O assunto era copiadora. Um senhor, simpatizante do Espiritismo, recondicionador de copiadoras, soube, por intermédio de sua secretária, que estávamos precisando de uma copiadora. Ele possuía uma, recondicionada, e nos venderia pela metade do preço e ainda nos daria toda assistência, visto que sabia para que finalidade precisávamos da máquina. Foi pedido a ele que telefonasse no outro dia, pois seria verificado se havia verba disponível. Contávamos apenas dois terços do valor necessário. Lembramos que, talvez, os dirigentes do Centro Espírita Henrique José de Mello pudessem ajudar e telefonamos para eles. Cederam a quantia complementar e a copiadora foi adquirida três dias depois das preces."


Fonte: O Livro da Prece, L. Palhano Jr., Editora Lachâtre, 4ª edição, p. 61  

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Daniel Dunglas Home e São Cupertino

 O item 16 de O Livro dos Médiuns menciona os fenômenos de levitação produzidos pelo médium Daniel Dunglas Home e por São Cupertino.
  Encontramos notícias biográficas de Home na Revista Espírita. O trecho a seguir permite conhecer o conceito estabelecido por Allan Kardec para os médiuns ostensivos - aqueles que produzem fenômenos físicos:   
  

O Sr. Daniel Dunglas Home nasceu perto de Edimburgo no dia 15 de março de 1833. Tem, pois, hoje 24 anos. (...) O Sr. Home é um médium do gênero dos que produzem manifestações ostensivas, sem, por isso, excluir as comunicações inteligentes; contudo, as suas predisposições naturais lhe dão para as primeiras uma aptidão mais especial. Sob sua influência, ouvem-se os mais estranhos ruídos, o ar se agita, os corpos sólidos se movem, levantam-se, transportam-se de um lugar a outro no espaço, instrumentos de música produzem sons melodiosos, seres do mundo extracorpóreo aparecem, falam, escrevem e, frequentemente, vos abraçam até causar dor. Na presença de testemunhas oculares, muitas vezes ele mesmo se viu elevado no ar, sem qualquer apoio e a vários metros de altura. (Revista Espírita, Allan Kardec, fevereiro de 1858, p.103-104)


  São José de Cupertino (1603-1663) ficou conhecido como o santo voador. Nascido no pobre vilarejo de Cupertino, no sul da Itália, foi um rapaz de bom coração, mas com problemas de aprendizado e dificuldade de se expressar. Por isso, é visto com desprezo pelos outros. Sua mãe, preocupada com o futuro do filho, implora ao irmão frade que o aceite no mosteiro dos franciscanos. Sua mãe, preocupada com o futuro do filho, implora ao irmão frade que o aceite no mosteiro dos franciscanos. Lá, o inocente José irá surpreender a todos com seu amor pelos animais, seu zelo para com os estudos apesar de em toda sua vida carregar imensas dificuldades na área do discernimento e da memória.Valeram-lhe o reconhecimento de sua verdadeira piedade e vocação sacerdotal e as mui frequentes ocorrências de levitação. Deve-se registrar também, as respostas inflamadas de inspiração que denunciavam extraordinária sabedoria nos momentos em que era interrogado acerca de difíceis questões teológicas.

  O filme de São Cupertino, o padre voador, pode ser assistido em 



quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

As manifestações espirituais coletivas

  Em O Livro dos Médiuns, item 11, Allan Kardec relaciona ocorrências mediúnicas coletivas: os Fanáticos de Cevenas, os Convulsionários de Saint-Médard e as Religiosas de Loudun.
  Podemos com nitidez verificar a sequência histórica que essas ocorrências com o surgimento das doutrinas religiosas, filosóficas e científicas do Espiritualismo Norte-Americano e do Espiritismo.

OS FANÁTICOS DAS CEVENAS
Jovens extáticos lideram reação protestante

 O seu surgimento deveu-se às ações intempestivas de Luis XI (1638-1715) após decidir pela unificação de seu país em torno de uma única religião – a Católica. Com uma população de 20 milhões de habitantes, dos quais apenas um milhão eram protestantes, o Rei decide invadir a região do Languedoc que reunindo 200.000 huguenotes no sul da França, contava com uma economia em expansão graças à indústria têxtil. (1). 
 A partir de 1685, aldeias inteiras foram massacradas e queimadas em uma série de atrocidades impressionantes. Os ministros religiosos huguenotes expulsos serão substituídos na comunidade huguenote por pregadores iniciantes, inexperientes e místicos. Em breve, na região das montanhas das Cevenas, quinhentos jovens com idades entre onze e quinze anos, alevantados pelo clamor contra as injustiças, caíam em êxtase e recitavam profecias bíblicas, sofrendo tremores físicos e desmaios.

 Muitos deles lançavam-se então a falar contra a Igreja, afirmando que estavam prevendo a queda do Papa.
 Em 1706 alguns desses profetas foram para a Inglaterra, onde continuou a manifestar-se o espírito de profecia e até o final do ano já tinham trezentos seguidores ingleses e um total de quinhentas profecias já tinham sido pronunciadas. Eles serão responsáveis pelo ressurgimento do movimento Quaker na Inglaterra, em uma segunda versão mais acirrada que os tornará denominados pela expressão Shakers.

QUAKERS
Reunião quaker: silêncio buscando inspiração

George Fox (1624-1691) é o criador do movimento Quaker. George reúne os amigos e forma uma nova seita inicialmente denominada Sociedade dos Amigos. Agrupados em silêncio, meditavam e aguardavam inspirações. Passaram a ser chamados de quakers devido às fervorosas atitudes oracionais conjugadas que os faziam tremer. Entre suas crenças, os quakers  prezam pelas ações pacifistas e beneficentes(2).
Quando o movimento do Novo Espiritualismo eclodiu nos Estados Unidos, as comunidades quakers norte-americanas, conhecedoras  da mediunidade, apoiaram a família  Fox.
A primeira grande reunião pública com demonstrações de mediunidade deu-se nessa cidade, ao final do ano de 1849, em um salão denominado Corinthian Hall, quando alguns ativistas espiritualistas foram designados pelos espíritos em uma sessão do círculo da casa de Leah Fox, para apresentarem-se perante o público. Três dos ativistas convocados pelos espíritos superiores eram quakers: George Willets e seu primo Isaac Post, e Capron (3)


SHAKERS 
Shajers e a mediunidade sem controle

Da França, cinco profetas fogem das perseguições deflagradas contra os protestantes nas montanhas das Cevenas e internam-se na Inglaterra no ano de 1706, misturando-se com os quakers ingleses. A chegada dos convulsionários franceses reaviva o movimento quaker e em 1747 surge um novo grupo de religiosos tremedores na Inglaterra: os shakers. Eles não apenas tremiam durante o transe mediúnico, mas entravam em convulsão. Shakers em Inglês significa sacudidor, convulsionário. Uma vez transferidos para as colônias norte-americanas, os shakers progrediram em número fazendo conversões e adotando crianças órfãs. As comunidades shakers instalaram-se em áreas rurais, aonde dedicavam-se ao trabalho agrícola e uso em comum de seus recursos.

Fontes:
(1) Emmanuel Le Roy Ladurie, ‘Huguenots contre Papistes’, in Philippe Wolff (ed.), Histoire du Languedoc (Toulouse: Privat, 1967, reprinted 1990), pp. 337-339, 348.
(2) George Fox Friends, A Journal of Historical account, Book Store, p. 56

(3) Radical Spirits: Spiritualism and Women’s Rights in Nineteenth-Century America, Ann Braude, 2.edition, Indiana University Press, 2001, p. 15

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Estudos para médiuns

   Os modos de estudos para médiuns em geral constituem-se na visitação às exposições doutrinárias e
a frequentação ao grupo de estudos, havendo aqueles que acrescentam uma terceira via: estudos individuais na soledade do lar.
   Um método completo para grupos dedicados ao estudo do Espiritismo deverá ensejar ao médium desenvolver habilidades de análise, comparação, crítica e expressividade, facultando a construção dos acréscimos permanentes de conhecimento  possibilitados pelo amplo campo conceitual da doutrina espírita. De sorte que, após concluída a programação de estudos de determinado grupo, mesmo nas situações em que o planejamento do centro espírita defina um lapso de tempo até a formação de novo grupo para o sequenciamento de estudos, o médium terá adquirido o gosto pelo aproveitamento das iniciativas pessoais e prosseguirá seus estudos sem solução de continuidade.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Datiloscopia e reencarnação

   O processo de obtenção e análise de impressões digitais é uma ciência denominada Datiloscopia.
Foram encontradas duas pessoas com impressões digitais idênticas, algo inédito no desenvolvimento dessa ciência. Os relatos estão descritos na Gazeta do Recife, datada de 27 de maio de 1935, replicada no jornal Mundo Espírita em 17 de junho daquele ano.
   João Apolinário dos Santos, técnico de datiloscopia do estado de Pernambuco (Brasil), apaixonado pela profissão, coletava impressões digitais com o fito de relacionar estudos sobre hereditariedade. Ao colher as impressões digitais da família de Manoel do Nascimento, Apolinário detalhou o arco, as presilhas interna e externa e o verticilo, e os variações de ângulos apresentados pelas quatro características básicas, em relação a padrões de outras famílias. 
   Sua surpresa foi constatar que o menino José Odon do Nascimento, tinha impressões digitais idênticas às de Pedro Guedes de Oliveira, falecido dez anos antes.
   Outro técnico de datiloscopia, Estanislau Pereira de Souza, foi chamado pelo jornal Gazeta do Recife para analisar as  duas fichas datiloscópicas e deu o seguinte parecer:
"Não há dúvidas. Estou diante de um fato inédito. Há anos que examino fichas, na crença de que uma igualdade jamais seria verificada. São perfeitamente iguais os dois desenhos, apesar da diferença dos tamanhos. Ambos caracterizam por um verticilo espiraloide, com os mesmos dedos, que também se distanciam por igual número de linhas papilares. Aliás, segundo a ciência, doze pontos bastariam para se atestar a igualdade de duas impressões. No entanto, no caso vertente, todos os pontos são perfeitamente iguais."
     

domingo, 10 de dezembro de 2017

Diálogo de atendimento

   O tema da doutrinação oferece amplo leque de possibilidades para o estudo e a pesquisa, seja em
revisão bibliográfica, seja na geração de dados obtidos na transcrição dos diálogos mantidos no ambiente das sessões de atendimento aos espíritos.
   Richard Simonetti nos dá exemplo de como conversar com os espíritos buscando conquistar-lhes a confiança pode resultar em uma conversação bem sucedida: "conquistando sua confiança será mais fácil modificar suas disposições". O caso Experiência gratificante (1) relata a ocorrência de uma comunicação psicofônica durante o momento de irradiação na reunião mediúnica. O manifestante declarou-se contrário à reencarnação de um espírito que estaria usurpando a ele o direito de encarnar com sua mãe. O doutrinador buscou enfatizar-lhe o dever de respeitar os desígnios divinos, mas não conseguiu demover o comunicante do seu intento de provocar o aborto do reencarnante. Finalmente ocorre ao dialogador fazer-lhe ver que a futura mãe tivera muita dificuldae para engravidar e que se o espírito insistisse e lograsse alcançar o aborto do reencarnante, muito provavelmente a sua própria encarnação com aquela senhora lhe estaria indertida porque ela não poderia mais engravidar no futuro. O comunicante aceita o argumento, e admitindo que estava laborando em erro, muito agradeceu o esclarecimento obtido, e disse que agora iria concorrer para beneficiar de todo modo que lhe fosse possível a atual gestação de sua futura mãe para que não ocorrem mais problemas na gravidez, pois seu interesse principal era ser, um dia, filho daquela senhora.       
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