segunda-feira, 29 de maio de 2017

A oração no lar


  Em uma pequena cidade de um dos estados da federação brasileira, uma mulher de origem simples dirigiu-se ao centro espírita, solicitando auxílio para parar de usar drogas químicas. Indicada a receber orientações através do procedimento de conversação assistida conhecido por Atendimento Fraterno foi-lhe aconselhado orar regularmente em sua casa, receber passes dispersivos no centro espírita acrescentados de água magnetizada e assistir a exposições doutrinárias públicas.
Encontrava-se agendado para o mês seguinte, o início de seu tratamento médico especializado em clínica de auxílio a dependentes químicos em cidade distante, o que implicaria em ficar afastada dos filhos pequenos e do marido por um período de 10 meses.
Os recursos administrados a ela no centro espírita e a prática de orações diárias no lar surtiram efeito positivo em algumas semanas, resultando na cessação do mau hábito do uso das drogas, o que a dispensou da internação.
Favoravelmente impressionada com os valores de auxílio alcançados, assumiu a oração no lar como um dever diário, e durante seis meses seguiu frequentando a sessão de exposição doutrinária e recebendo a fluidoterapia de imposição de mãos, conquanto tenha sido dispensada de receber os passes dispersivos e a administração de água magnetizada.
Desejosa agora, de parar de fumar, percebeu, contudo, que de algum modo intensificava-se-lhe a vontade de fumar. Resolveu dispor uma garrafa com água limpa durante seus momentos de orações diárias, pedindo a Deus depositasse na linfa pura, o fortificante de ânimo que lhe faltava para vencer o segundo vício. 
Alguns dias à frente, reconheceu que uma estranha forma de alívio lhe sobreveio: os vapores da nicotina ingerida passaram a lhe trazer sensações desagradáveis e enjoo, o que lhe permitiu afastar-se um pouco dos cigarros. Deu-se conta, também, de mudanças favoráveis no próprio humor, e, acentuando-se-lhe o gosto pela vida, passou a dirigir cuidados mais afetuosos aos seus familiares nas ações cotidianas.
Exames médicos recentes mostraram-lhe o inevitável dano causado aos alvéolos pulmonares devido ao uso prolongado do cigarro. Ela desenvolvera enfisema.
Como sói ocorrer às almas que vêem em si despertado o poder da fé, os bons hábitos vinham-lhe aumentando as forças interiores. Encarou com serenidade a obrigatoriedade de submeter-se ao tratamento dos pulmões, submeteu-se a exames clínicos e aguardou resoluta as especificações médicas que lhe indicariam o início do tratamento contra a doença degenerativa. Manteve em suas atividades diárias o momento sublime de interação com as esferas superiores, sempre no mesmo horário, cultivando o contato de sua alma com o Criador.
Antecedendo ao aguardado informe das especificações de tratamento, precisou submeter-se a nova radiografia do tórax, em atendimento a imprevista solicitação médica. De posse dos resultados, surpreenderam-se os técnicos de saúde, informando-lhe com estas palavras: "isto é milagre, senhora, não há mais qualquer sinal de enfisema nos seus pulmões, e a senhora não fez ainda nenhum tratamento!" 
Nós, espíritas sabemos que, a expressão 'ajuda-te, que o céu te ajudará' está no cerne desta cura.
  "Deus aceita todas as preces, quando sinceras". (Allan Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo).

domingo, 28 de maio de 2017

Fatos Espiritualistas, de William Crookes

 
O título original do livro de William Crookes é Researches in the Phenomena of Spiritualism, London, 1874.
  A respeito de traços biográficos desse pesquisador da fenomenologia mediúnica, o sítio da Federação Espírita Brasileira copia o capítulo William Crookes, onde se lê:

   Mencionado como sendo um dos mais persistentes e corajosos pesquisadores dos fenômenos supranormais, desenvolveu importante trabalho na área da fenomenologia espírita. (Carneiro, Vitor. ABC do Espiritismo, FEB 1996)

   Segundo informa o sítio Autores Espíritas Clássicos, a obra Researches in the Phenomena of Spiritualism recebeu sua primeira tradução brasileira em 1919, com o título Fatos Espíritas, lançado pela FEESP. Algumas décadas depois, a FEB relançaria esta obra.
   Mas é de questionar-se se William Crookes pesquisou os fenômenos espíritas, ou se sua contribuição literária na área do psiquismo proveio de estudo e experimentação dos fenômenos espiritualistas. É necessário fazer esta distinção, para evitar possíveis embaraços, como o equívoco ocorrido na primeira tradução do livro History of Spiritualism (1914) pela Editora Pensamento em 1960, que lhe apôs o título História do Espiritismo na sua tradução para o Português, a qual foi relançada corrigida pela Federação Espírita Brasileira no ano de 2013 sob o título  História do Espiritualismo.

   No sítio Autores Espíritas Clássicos você pode realizar o download do livro Researches in the Phenomena of Spiritualism no original em Inglês, e a sua tradução em Português com o título Fatos Espíritas, seguindo o link

http://www.autoresespiritasclassicos.com/Pesquisadores%20espiritas/William%20Crookes/William%20Crookes%20-%20Fatos%20Esp%C3%ADritas.htm

   De posse do livro original e de sua tradução, é curioso notar que o parágrafo inicial foi suprimido nas traduções impressas em idioma português:

  Some weeks ago the fact that I was engaged in investigating Spiritualism, so called, was announced in a contemporary: and in consequence of the many communications I have since received, I think it desirable to say a little concerning the investigation which I have commenced.
  
    Sua tradução é:
   "Há algumas semanas atrás foi anunciado em um periódico a informação de que tenho procedido investigações sobre o assim denominado Espiritualismo. Em consequência às variadas cartas que passei a receber após esse anúncio, considero-me no dever de dizer algo a respeito das investigações que iniciei".

   Fica claramente definido no parágrafo acima, que a obra destina-se a esclarecer as pesquisas que William Crookes vinha realizando no âmbito do Espiritualismo.
  Por que este trecho do livro não está presente na tradução mencionada? Houve intenção deliberada em evitar distinções entre Espiritualismo e Espiritismo?
   Pode-se verificar que o mesmo livro de William Crookes, ao ser lançado nos Estados Unidos no ano de 1904 recebeu o título de Researches into the Phenomena of Modern Spiritualism. A expressão Moderno Espiritualismo é mais ao gosto dos norte-americanos, os quais viram nascer em 1848 o movimento que se espalhou por vários países, tendo encontrado novo berço na Inglaterra.
   Averiguando todas as páginas do original em Inglês do referido livro de William Crookes, não vamos encontrar a expressão 'espírita' em nenhum trecho da obra. Também não há no livro de William Crookes nenhuma referência a Allan Kardec.
   Talvez devêssemos verificar a possibilidade de que William Crookes não tenha sido espírita, e sim um dos inúmeros seguidores sérios do rico movimento científico e doutrinário iniciado nos Estados Unidos e que floresceu em toda a segunda metade do século XIX, tendo-se mantido estável ao menos até a primeira metade do século XX.
   O Espiritualismo desenvolveu uma abrangente área de pesquisa, e contou com centenas de pesquisadores. Há, contudo, uma forte e insistente tendência entre os estudiosos espíritas, em pretenderem que Espiritualismo Moderno e Espiritismo são exatamente a mesma doutrina, ou que Espiritualismo é o modo como norte-americanos e ingleses denominam, em suas pátrias, o Espiritismo. O contrário também se verifica, ou seja, os espiritualistas afirmam que é o Espiritualismo que abrange todos os estudos e pesquisas sobre o psiquismo tomado como referência a partir de ampla fenomenologia, e insistem em que Espiritismo é o nome do Espiritualismo na França e em alguns países. Convém lembrar que os fundadores do Espiritualismo Norte-americano não são os mesmos fundadores do Espiritismo Francês, e que apesar dos fundamentos das duas ciências diferirem pouco, há conclusões e práticas bastante diversas nos estudos e práticas das duas correntes doutrinárias.
    Merece estudo atento o modus operandi de espiritualistas, em comparação com a formatação de pesquisa adotada por espíritas, para que se possa analisar suas congruências e diferenças. Tal análise poderá, minimamente, fazer somar os bons resultados surgidos nas duas ciências, de modo a ampliar-lhes a profundidade dos aspectos pesquisados. Quantas novas conclusões poderemos auferir de tal comparação?!
   Desde seu surgimento nos Estados Unidos em 1848, o Espiritualismo teve, durante cerca de 100 anos, um pujante desenvolvimento no sentido de pesquisa.   Há um fato digno de nota: a expressão Espiritismo é mostrada no idioma inglês no ano de 1855, conforme relata o livro ‘A Família Fox e o Espiritismo’ (Bräscher, Osvaldo. Editora Roteiro de Luz, 2016), em uma fase de surgimento do movimento espiritualista, quando as expressões Espiritismo, Moderno Espiritismo, Espiritualismo Moderno, Espiritualismo Norte-Americano e Novo Espiritualismo coexistiram até finalmente definir-se, naquele idioma, a denominação Espiritualismo. Há evidente relação de proximidade entre o significado de Spiritism, expressão surgida nos Estados Unidos, e Spiritisme, palavra francesa criada por Allan Kardec, sendo possível que o codificador do Espiritismo tenha vertido Spiritism para Spiritisme. Allan Kardec é acusado disto pelos seus conterrâneos, os quais não admitiam o uso de termos da língua inglesa na criação de novas palavras para o idioma francês. Allan Kardec não esclarece jamais se fez uso de um anglicismo, mas afirma que a palavra Spiritisme já tinha  tomado seu lugar.
   É de se esperar que nova tradução surja no meio editorial, desta vez sob o título Fatos Espiritualistas, de William Crookes.

O livro 'A Família Fox e o Espiritismo'



   - "Se eu chamar os vizinhos, você vai continuar a se comunicar conosco?”
  
    Utilizando um método simples, a Sra. Fox calmamente conversa com o espírito batedor, fazendo trinta perguntas e obtendo todas as respostas. Ela só não esperava ter a casa invadida por 300 vizinhos curiosos.
   "A Família Fox e o Espiritismo", de Osvaldo C. Bräscher, pela Editora Roteiro de Luz, com 144 páginas, formato 14x21.

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sábado, 27 de maio de 2017

Reuniões de estudo

    As reuniões de estudo tem o objetivo de aprimorar o discernimento individual.
Imagem cedida por freepic.com
    O aprimoramento se dá proporcionando aos integrantes do grupo, que contatem novos ângulos dos conceitos doutrinários. Cada conceito abordado exige um passo a mais no sentido de moralidade, de modo que o sentido do bem se estruture no indivíduo espírita, por meio de uma expansão do entendimento intelectual acompanhado de uma nova decisão de melhoria moral. Faz-se necessário, desse modo, que estudos específicos sobre moralidade sejam defrontados permanentemente pelo grupo. Tais estudos específicos de moralidade que correspondem à interpretação dos ensinamentos da Boa Nova de Jesus de Nazaré encontram-se bastantemente bem embasados em "O Evangelho segundo o Espiritismo" e nos livros da série "Fonte Viva" do espírito Emmanuel, mas exigem tanto da parte do coordenador dos estudos de grupo quanto de todos os integrantes, sem exceção, que aceitem como rumo permanente, encontrar-se, em cada reunião semanal, apreciações de novos entendimentos morais, sendo de considerar-se plenamente viável que no decorrer da reunião de estudos cada um dos estudiosos replete-se de compreensão nova, a exigir-lhe imediatamente tomada de posição no mundo íntimo a respeito de alguma ou algumas mudanças oportunizadas naqueles minutos preciosos, facultadas pelos novos ângulos proporcionados pela leitura dos nobres bem como pelas diferentes apreciações proporcionadas pelos comentários dos demais companheiros. Assim, a reunião espírita de estudos torna-se um ambiente propício à renovação mental de cada um, uma vez que individualmente se verifiquem a humildade para aprender a reconhecer as próprias inclinações que podem ser imediatamente corrigidas com rumo novo pelo poder da vontade a impor retificação no mundo íntimo. Os dias seguidos a cada reunião tornam-se facultadores de confirmação das decisões de renovação íntima nas experiências vivenciais propiciadas no mundo, e cada nova reunião é buscada com o vivo ensejo de dar um passo a mais na senda do aprendizado, do discernimento, e da tomada de decisão que reinicia o processo de renovação do mundo interior.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O livro ressurgido

   O reaparecimento do livroRelato sobre os Ruídos Misteriosos ouvidos na casa do
Sr. John D. Fox pode proporcionar o início de uma revisão na história do surgimento do Espiritismo nos Estados Unidos. Esquecido desde sua primeira e única edição no ano de 1848, foi secundado por outras publicações a partir do ano de 1850, objetivadas a registrar as manifestações do espírito batedor Charles Rosma ocorridas no vilarejo de Hydesville. Seu autor, Ebenezer Lewis, visitou o local uma semana após o início das perturbações, e entrevistou e obteve a declaração escrita de mais de duas dezenas de testemunhas, algumas das quais moradoras da vizinha cidade de Arcadia. Lewis descreve com clareza a ação da mãe das Irmãs Fox, a sra. Margaret Fox. A determinação desta senhora em buscar a origem do fenômeno que causava sérios distúrbios ao lar de sua família por semanas seguidas, irá torná-la personagem central no surgimento do Espiritismo Moderno, por ter sido a primeira pessoa a estabelecer um inovador e simples método de conversação com espíritos batedores e por ter proporcionado a divulgação para centenas de vizinhos que vieram testemunhar os fenômenos em sua casa. 
   Com o reaparecimento do livro de Ebenezer, ficam esclarecidos vários pontos conflitantes, agora que temos à disposição um relato de primeira mão sobre os fatos. À época da publicação original do relato de Lewis, esse livro contribuiu, juntamente com as reportagens de jornais, em fazer surgir milhares de grupos de curiosos reunidos em residências onde outros manifestantes batedores registraram as suas presenças, prestando-se à universalização das possibilidades de contato espiritual, pois nos círculos de experimentação, médiuns e não médiuns ouviam os mesmos ruídos provocados por espíritos.
    Três fatores ensejarão o surgimento da grande manifestação espiritual coletiva que teve lugar nos Estados Unidos:  o procedimento vulgarizado naquele país de magnetizar pessoas, fazendo-as alcançar a vidência e a audiência espiritual a partir de procedimentos indicados pelo sábio francês Mesmer  ensejando o surgimento de milhares de médiuns, a capacidade de organização das representações populares iniciada e perpetuada desde 80 anos antes com os esforços de reação das colônias contra o império britânico, e o apoio do grupo Quaker com demais denominações religiosas e comunitárias, onde o mediunismo era não somente aceito como praticado. 

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domingo, 26 de março de 2017

O primeiro objetivo das reuniões mediúnicas


As reuniões mediúnicas sérias devem atender a quatro objetivos simultaneamente.

Primeiro objetivo: a melhora moral dos integrantes encarnados. As tarefas de  concentração, de passividade, de diálogo são modos de trabalho nos quais devemos sempre inserir o esforço do autoconhecimento e da renovação mental. No silêncio,   ouvindo as lições de vida dos espíritos necessitados, corrigimos quaisquer inclinações de julgamento que porventura despertem em nosso íntimo, e desenvolvemos tolerância e serenidade.
 Apoiados no conceito de que “o primeiro objetivo das reuniões mediúnicas é a instrução moral dos participantes encarnados”, devemos pautar nossos ações a partir do proveito de reconceituar o aprendizado, expandindo nossa capacidade de amar  (fonte: Projeto Manoel Philomeno de Miranda, Livraria Espírita Alvorada Editora, copyright 1993, 10ª edição, pág. 17-18)

O segundo objetivo das reuniões mediúnicas

   
O atendimento proporcionado nas reuniões mediúnicas aos comunicantes desencarnados corresponde a alçá-los, através do esclarecimento, da situação de perturbação para a retomada da consciência. O estado de perturbação se origina no desencarne e pode prolongar-se indefinidamente.


“Os necessitados e sofredores que se manifestam na reunião mediúnica fazem parte de uma vasta categoria denominada Espíritos imperfeitos (...). Estes irmãos são almas enfermas que chegam ao grupo mediúnico em busca de socorro, cabendo-nos a tarefa de auxiliá-los com fraternidade.”  (apostila Estudo e Prática da Mediunidade - FEB, programa II, módulo IV, roteiro 3)


   Através das orientações da doutrinação, colaboramos para o desprendimento que “opera-se gradualmente e com lentidão variável, segundo os indivíduos e as circunstâncias da morte. Os laços que prendem a alma ao corpo não se rompem senão aos poucos, e tanto menos rapidamente quanto mais a vida foi material e sensual. (Allan Kardec, O que é o Espiritismo, Cap. 3, item 144)

O terceiro objetivo das reuniões mediúnicas

  
A instrução espiritual é habitual nas reuniões mediúnicas, ocorrendo mais comumento no início ou final da sessão, momento em que podemos trocar impressões sobre pontos importantes do serviço. “É comum a manifestação de benfeitores espirituais que comparecem para prestar orientações e esclarecimentos aos encarnados, bem como acompanhar e auxiliar os sofredores, encarnados e desencarnados.”    (Estudo e Prática da Mediunidade - FEB, programa II, módulo I, roteiro 1, pág. 19)

   Um exemplo de orientações dessa natureza é o livro 'Instruções Psicofônicas', com  ensinamentos recebidos psicofonicamente pelo médium Francisco Cândido Xavier entre 1954 e 1955 ao final das reuniões doutrinárias do Grupo Meimei, na cidade de Pedro Leopoldo, MG. 

O quarto objetivo das reuniões mediúnicas


 “Os Espíritos não vêm libertar o homem do trabalho, do estudo e das pesquisas; naquilo que pode achar por si mesmo, eles o deixam às suas próprias forças.” (Allan Kardec, Revista Espírita, abril de 1866, pág. 104)
 “Os Espíritos não se manifestam para libertar do estudo e das pesquisas o homem, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma ciência. Com relação ao que o homem pode achar por si mesmo, eles o deixam entregue às suas próprias forças. (A Gênese, caráter da revelação espírita, item 60)

  Um exemplo de pesquisa levada a efeito com a colaboração dos espíritos é o trabalho coordenado por Lamartine Palhano, que resultou na publicação do livro “Laudos Espíritas da Loucura”.  Psiquiatras espíritas obtiveram, através de um grupo de médiuns, a opinião de colegas psiquiatras espirituais para casos clínicos de encarnados com distonia mental.  

   Assim, concluímos pelos quatro objetivos simultâneos das reuniões mediúnicas?
primeiro objetivo: reforma íntima dos encarnados
segundo objetivo: atendimento
terceiro objetivo: instrução espiritual
quarto objetivo: pesquisa



sábado, 25 de março de 2017

Desencarnes em morte coletiva

 
As conversações mantidas com espíritos necessitados colocam-nos perante variadas categorias de necessitados. O estado de perturbação decorrente dos casos de morte coletiva recebeu atenção do codificador do Espiritismo: 

Nos casos de morte coletiva, tem sido observado que todos os que perecem ao mesmo tempo nem sempre tornam a ver-se logo. Presas da perturbação que se segue à morte, cada um vai para seu lado, ou só se preocupa com os que lhe interessam. (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Comentário à questão 141.)

O caso prático narrado a seguir nos mostra a importância de termos tato nas tratativas do diálogo, sem nenhuma necessidade de especular situações por nós desconhecidas. A boa vontade de oferecer frases de apoio ungidas de sentimento fraternal estabelece o clima propício para a libertação da situação enfrentada pelo comunicante.

Espíritos que desconhecem sua situação - Estou no Metrô

Muitos espíritos ignoram o fato de estarem desencarnados. Allan Kardec é o primeiro a nos esclarecer a esse respeito:
  
 "Um fenômeno mui frequente entre os Espíritos de certa inferioridade moral é o acreditarem-se ainda vivos, podendo esta ilusão prolongar-se por muitos anos, durante os quais eles experimentarão todas as necessidades, todos os tormentos e perplexidades da vida."  (Allan Kardec, O Céu e o Inferno, Primeira parte, cap. 7: Código penal da vida futura)

   Nem todos os comunicantes, contudo, deverão vir a tomar ciência imediatamente sobre o fato de sua desencarnação, informação, aliás, que poderá causar prejuízo em muitos casos de atendimento.

              (...) o doutrinador deve ser muito cauteloso no momento de fazer a revelação quanto à condição em que se encontra o Espírito que está sendo atendido. Precipitar o conhecimento de sua morte biológica pode causar-lhe um trauma desestruturador da emoção (...) (Reuniões Mediúnicas, Projeto Manoel Philomeno de Miranda, Livraria Espírita Alvorada Editora, 10ª edição, 2008, pág. 84).

   O caso prático apresentado a seguir, possibilita depararmo-nos com o apoio que respostas simples podem proporcionar, mesmo que sem a intenção de estabelecer sugestionabilidade, mas no sentido de ser uma ferramenta útil para romper o impasse de situações em que o comunicante se mostra arredio ou defeso em relação a receber o atendimento. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Tipos de comunicantes

A classificação em tipos conforme as necessidades principais sob que se apresentam os comunicantes tende a contribuir com o estabelecimento de modos iniciais de atendimento, funcionando como guias temporários de argumentação. Juntando-se a esse roteiro o esforço permanente do doutrinador em ampliar seu conhecimento doutrinário, e mantendo-se em tela que cada interlocutor espiritual é um indivíduo único que merece ser ouvido de modo específico, não obstante certas características gerais, providencia-se a melhoria do atendimento, o qual se solidifica enquanto se aprimora.
  Encontram-se presentes na literatura mediúnica três listas de comunicantes, propostas conforme as conversações mantidas por diversos doutrinadores:

Passe na doutrinação

O passe pode ser utilizado “para beneficiar Espíritos ou médiuns, acalmando o ânimo, oferecendo energias, dispersando-as ou redistribuindo-as.” (Reuniões Mediúnicas, Therezinha Oliveira, Editora Allan Kardec, copyright 1994, 9ª edição, Andamento do diálogo, pág. 119)

O tipo certo de passe pode ser aplicado para encerrar uma comunicação que se estende demasiado, ou que está a prejudicar sobremaneira o médium.

   Passes dispersivos podem favorecer a interrupção do transe. (Conversando com os Espíritos, Therezinha Oliveira, pág. 97)

   Considerando que a palavra passe é movimento rítmico, cada movimento impõe um outro de complementação e equilíbrio, entremeado de pausa para mudar a direção. Dispersão, pausa, assimilação ou doação, eis o passe em três etapas bem caracterizadas.  (Estudo sobre o passe: o passe nas reuniões mediúnicas, Federação Espírita Brasileira, ano 2004, p. 7).


quarta-feira, 22 de março de 2017

Regressão segundo Vilela




     O recurso da regressão de memória tem sido empregado em muitos grupos mediúnicos, como meio de induzir ao espírito necessitado, o contato com as causas que deram origem a seus atuais problemas. 
   Antonio Vilela (1902-1966) foi espírita português com formação profissional em engenharia, com intensa atividade como professor de matemática e ciências pedagógicas, político, ensaísta e escritor de vasta obra literária e científica.
   Na segunda década do século XX travou contato com fenômenos de mesas girantes, a partir de experiências com uma mesa pé de galo, onde ele e um grupo de amigos obtiveram comunicações que o convenceram da possibilidade de contato com espíritos.
   Ao ler Allan Kardec, Léon Denis, Ernesto Bozzano e Gabriel Dellane, verifica que

“a teoria das vidas sucessivas, que inicialmente havia achado tão extravagante, ligado como estava às teorias da biologia materialista, era um princípio fundamental que lhe fornecia a solução para os inúmeros problemas morais e sociais”. (“Como se tornou espírita” – Revista portuguesa ‘Estudos Psiquicos’, nº. 11, de Setembro de 1944 in Alguns Vultos do Movimento Espírita Português, Manuela Vasconcelos, p. 37-38)

Regressão de memória

Em estudo publicado pela Federação Espírita Brasileira, de autoria de Antonio Eduardo Lobo Vilela,

         Nos nossos trabalhos experimentais temos ensaiado sobre os próprios desencarnados os fenômenos de regressão da memória, com ótimos resultados. Como se sabe, entre os Espíritos manifesta-se a mesma variedade de opiniões e crenças que se encontra entre os homens, porque a morte não é um abismo, mas uma sequência natural da vida. (Revista Reformador, abril de 1960, A Regressão da Memória, Dr. A. Lobo Vilela)

   Suely Caldas Schubert argumenta da necessidade de proceder a aplicação de recursos da regressão de memória em alguns casos de atendimento a comunicantes necessitados. O fato de Suely mencionar ‘em grande número de comunicações’ sugere que a aplicabilidade desse recurso não deve ser encarado como de uso raro:

         (...) é preciso compreendamos que é quase impossível a uma pessoa mudar de procedimento, sem que seja levada a conhecer as causas que deram origem aos seus problemas. Razão por que, em grande número de comunicações, o doutrinador, sentindo que há essa necessidade, deve aplicar as técnicas de regressão de memória no comunicante. Esta técnica consiste em levá-lo a recordar-se de fatos do seu passado, de sua última ou anterior reencarnação, despertando lembranças que jazem adormecidas.  (Obsessão/Desobsessão, Suely Caldas Schubert – profilaxia e terapêutica espíritas, Federação Espírita Brasileira, copyright 1981, 2ª edição 2010, pág. 177)

Recursos

Há dialogadores que muito raramente utilizam-se dos recursos aqui elencados, preferindo, no aprimoramento das capacidades próprias da argumentação, arregimentar todos os auxílios possíveis aos comunicantes necessitados. A melhoria da capacidade de convencer pelo discernimento é certamente um dever de esforço de todos os doutrinadores.  Mas há situações que podem exigir o desenvolvimento da capacidade de bem utilizar um ou mais recursos, que venha a conjugar esforços no enfrentamento de determinados impasses ou dificuldades.
   A literatura sobre reuniões mediúnicas nos mostra um conjunto de meios experimentados e avaliados por grupos mediúnicos.


terça-feira, 21 de março de 2017

O esclarecimento

A doutrinação é a argumentação esclarecedora.

  Esclarecer, em reunião de desobsessão, é clarear o raciocínio (...) por meio de uma lógica clara, concisa, com base na Doutrina Espírita e, sobretudo, permeada de amor. (´Doutrinação´, Roque Jacinto, 2ª edição, Edições Culturesp Ltda, pág 27)

   A recepção é a primeira parte da doutrinação, onde buscamos “obter informações que possam dar uma ideia da necessidade central do espírito”. (Américo Sucena, Falando com os Espíritos)

   O esclarecimento é o segundo momento do diálogo, onde o doutrinador buscará aconselhar para favorecer o discernimento do irmão visitante.

Por meio de sábios conselhos, é possível induzi-los ao arrependimento e apressar-lhes o progresso.  (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, cap. 23, item 254, questão 5ª)

                  Variai vossa linguagem conforme a dos Espíritos que se comunicam em vossos grupos, mas que a seriedade e a benevolência jamais sejam excluídas. (Revista Espírita, Allan Kardec, maio de 1865)
  

Novos casos nas reuniões mediúnicas

Todos temos a necessidade de considerar novos fatos espíritas em nossas reuniões mediúnicas.
Um exemplo bastante nítido pode ser observado na experiência de Allan Kardec. O Codificador afirma ter, até determinada época, total desconhecimento a respeito da existência de um certo tipo de comunicante.

Passa-se no mundo dos Espíritos um fato muito singular, de que seguramente ninguém houvera suspeitado: o de haver Espíritos que se não consideram mortos. Pois bem, os Espíritos superiores, que conhecem perfeitamente esse fato, não vieram dizer antecipadamente: Há Espíritos que julgam viver ainda a vida terrestre, que conservam seus gostos, costumes e instintos.
   “Os Espíritos superiores provocaram a manifestação de Espíritos desta categoria para que os observássemos. Tendo-se visto Espíritos incertos quanto ao seu estado, ou afirmando ainda serem deste mundo, julgando-se aplicados às suas ocupações ordinárias, deduziu-se a regra. A multiplicidade de fatos análogos demonstrou que o caso não era excepcional, que constituía uma das fases da vida espírita; pôde-se então estudar todas as variedades e as causas de tão singular ilusão, reconhecer que tal situação é sobretudo própria de Espíritos pouco adiantados moralmente e peculiar a certos gêneros de morte; que é temporária, podendo, todavia, durar semanas, meses e anos. Foi assim que a teoria nasceu da observação.  O mesmo se deu com relação a todos os outros princípios da doutrina.” (Allan Kardec, A Gênese, cap. I, item 15)

Conforme pudemos verificar, Allan Kardec propugna que os espíritos superiores nos trazem novos casos para nossa experimentação nas reuniões mediúnicas, mas deixam a pesquisa e conclusões por nossa parte.

A prática da doutrinação

Allan Kardec foi o primeiro a considerar as práticas da doutrinação:


(...) conversa-se com o Espírito desencarnado, se o moraliza, educa-o, como teria sido feito quando de sua vida. (Allan Kardec, Revista Espírita, fevereiro de 1866)

   As seguintes instituições espíritas reuniram diálogos inseridos mantidos com espíritos necessitados, atendidos nas reuniões mediúnicas:
Seara Espírita Amigos da Fraternidade – Florianópolis/Brasil
   Centro Espirita Irmão Erasto – Florianópolis/Brasil
   Centro Espírita Amigos do Caminho – Florianópolis/Brasil
   Centro Espírita Allan Kardec – Imbituba/Brasil

domingo, 12 de março de 2017

Possibilidade de fazer ciência no Centro Espírita

A criação de conhecimento novo não precisa ser uma ação complicada, se você iniciar elegendo um tema para pesquisa e proceder o levantamento de dados originais. As rotinas dos centros espíritas oferecem variadas oportunidades para a coleta de dados nas ocorrências do passe e da imposição de mãos, nos fatos da reunião mediúnica e mesmo nas ações voltadas ao serviço assistencial, uma vez que a ciência espírita não abarca apenas a mediunidade, mas tudo que tenha a ver com a ação do elemento espiritual em sua relação com o elemento material - o que pode incluir os fatos da reforma interior, a transformação moral, as ações da caridade, o progresso do contexto social, entre muitos outros, desde que analisados sob a ótica dos princípios espíritas.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Comunicação de encarnados na reunião mediúnica


       O Espiritismo é uma ciência. Quem está fazendo ciência espírita?

    Allan Kardec definiu: "Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma maneira que as ciências positivas, isto é, aplica o método experimental." (A Gênese, cap 1, item 14, Allan Kardec)

     Resta-nos agora, começarmos a fazer ciência espírita. Alguns espíritas já estão fazendo isso, como é o caso do Diretor das Casas André Luiz e o grupo mediúnico do qual ele participa (www.casasandreluiz.org.br). Graças a pesquisa efetuada por experimentadores como Frederico Camelo Leão, o tema da ciência espírita encontra-se em fase de novas abordagens. Em sua Dissertação “Uso de práticas espirituais em instituição para portadores de deficiência mental” apresentada ao Departamento de Psiquiatria da  Faculdade de Medicina da USP - Universidade de São Paulo, obteve o título de Mestre em Ciências, pesquisando de que modo é possível auxiliar na terapia de deficientes mentais, conversando com o deficiente mental quando este se expressa através de um médium na reunião mediúnica. 

domingo, 24 de julho de 2016

O jornal de Deleuze

   
   Em seu ‘Catálogo Racional das Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita’, Allan Kardec faz constar os Annales du Magnétisme Animal, escritos nos anos de 1814 a 1816. Nas edições deste jornal, Joseph Philippe François Deleuze relata os experimentos levados a efeito por magnetizadores europeus. O número 1, lançado em julho de 1814 traz, a partir da sua página 14, o capítulo da História do Magnetismo Animal, no qual lemos elogios ao esforço metodológico de Mesmer:
O progresso da ciência é lento; só depois de ter seguido longa e obstinadamente por uma mesma estrada, a mente pára e sente a necessidade de mudar de direção. Inicialmente surgem apenas flashes de elucidação intelectual, vislumbram-se luzes que muitas vezes caem no esquecimento, os quais, finalmente fortalecidos em seu conjunto, acabam mudando inteiramente a sequência de desenvolvimentos.

sábado, 23 de julho de 2016

A ação magnética, segundo Gauthier

   O Tratado Prático do Magnetismo, de Aubin Gauthier, reúne todos os ensinamentos
Aubin Gauthier
magnéticos conhecidos até 1845.

    Saboreemos alguns aforismos coletaneados por Gauthier:
      
      "Para agir magneticamente, basta querer. A partir do momento que se deseja, a vontade se transforma em ato visível ou sensível”. (cap. 2, p.2)
            "O magnetismo é a comunicação das forças vitais de um homem a outro". (cap.3, p. 5)

  Gauthier nos presenteia com arranjos de historicidade que nos permitem compreender a sucessão de esforços dos variados pesquisadores:
           
          "Quando o doutor Mesmer aplicou o magnetismo na cura das enfermidades, concebeu uma teoria e criou seus procedimentos; mais tarde Puysegur, ocupando-se unicamente com o sonambulismo, estudou seus enfermos e ampliou o seu poder de vontade; finalmente, Deleuze, quarenta anos após Mesmer, aproveitando as lições deste grande gênio e as observações de Puysegur, Bruno, Lutzelboug, Roullier, Fournel, Tardy de Montravel e outros eminentes magnetizadores, somando-se o que aprendeu com a própria experiência, publicou uma Instrução Prática para as pessoas que quisessem iniciar-se na arte da magnetização. Nesta obra, Deleuze firmou princípios invariáveis, indicou procedimentos obrigatórios e outros facultativos, alçando a ciência magnética, a partir de então, ao estado de arte." (cap..4, p. 3-4)


domingo, 19 de junho de 2016

Os cursos de Passe

A ampla temática necessária aos cursos de Passe merecem considerações de embasamento moral e técnico para a
Leon Denis
devida formação individual do candidato a médium passista, seja no quesito de sua renovação de atitudes mentais e de relacionamento, seja no que diz respeito ao estudo do que pode ser considerada a teoria e a prática concernentes à sua melhor aplicação bem como ao seu aprimoramento.
Inicialmente, tomemos por patrono de quaisquer de nossas apreciações relativas aos cursos de formação de trabalhadores na casa espírita, o alerta de Leon Denis – insigne filósofo e cientista espírita da segunda metade do século XIX e início do século XX -, o qual reafirma em nós, a responsabilidade dupla de conduzirmos esforços na direção do avanço do Espiritismo, e de fazê-lo no rumo acertado:

O Espiritismo será o que os homens fizerem dele. (Leon Denis, no livro No Invisível, Introdução)

Consideramos natural que os estudos imprescindíveis aos candidatos a aprendizes da atividade do passe incluam o estudo e prática da oração e da reforma íntima, pois como assevera a obra “Magnetismo Espiritual”, de Michaelus, editada pela Federação Espírita Brasileira, as experimentações não podem prescindir de atitude adequada:

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Hermínio escreve sobre a vidência

   Vamos aprender com Hermínio Corrêa de Miranda, a abordar o tema da vidência, e da clarividência, apoiando-nos em parte, nas considerações dispostas no livro 'Diversidade dos Carismas - Teoria e Prática da Mediunidade'.
   Como espírita cônscio de verificar primordialmente, na fonte dos princípios fundamentais da doutrina espírita, Hermínio nos enseja a visitarmos ‘O Livro dos Médiuns’, de Allan Kardec, capítulo 14, item 5, Os médiuns videntes.

   Allan Kardec é um observador e um classificador em horário integral, o que significa que todos os seus textos permanentemente reúnem resultados de observações de fatos e assertivas de organização e distribuição conceitual do objeto e dos fenômenos observados. Para ensejar nosso melhor entendimento das estruturas conceituais contidas no texto kardequiano, vamos ponteá-lo com numeração que facilite nossa apreciação:

sábado, 4 de junho de 2016

Habilidades amplificadas pelo Magnetismo

   
   Joseph Alphonse Teste (1814-1888) foi um médico homeopata francês, pertencente a várias sociedades científicas, dentre elas a Academia Real de Medicina e a Sociedade de Medicina Homeopática, e que desenvolveu estudos sobre o Magnetismo e o Sonambulismo.
   Informa Allan Kardec, em seu Catálogo  Racional das obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita, que o Manual Prático de Magnetismo Animal é “uma exposição metódica dos processos empregados para produzir os fenômenos magnéticos e fazer sua aplicação e tratamento das doenças”.
   À página 273 do referido Manual encontramos os relatos da expansão das características pessoais artísticas, proporcionado pela aplicação magnética:

A senhorita Ánjela Grassi, moradora de Barcelona, poetisa de renome, escreve repentinamente e com extrema facilidade após ser magnetizada. Produz, então, nesse estado, versos belíssimos, os quais, segundo ela mesma afirma, lhe custariam infinitamente mais trabalho se os tentasse escrever no estado de lucidez.

O sr. Serres, célebre magnetizador da cidade de Bordéus, sonambuliza um jovem músico, cuja arte pode-se dizer é apenas regular. Mas sob o influxo magnético, este jovem alcança uma maestria admirável em sua arte.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A Arte de Magnetizar

    L’Art de Magnétiser, de Charles Leonard LaFontaine (1803-1892) é um dos livros indicados por Allan Kardec para travarmos conhecimento com o Magnetismo, ciência irmã do Espiritismo.
   As recomendações a esse respeito encontram-se no Catálogo Racional para se Fundar uma Biblioteca Espírita, e incluem um total de 14 obras.
   Charles Lafontaine foi um dos maiores hipnotizadores de todos os tempos. Os jornais de seu tempo divulgaram como ele curou, aos olhos de todos, 67 surdos-mudos, 15 cegos e 35 paralíticos, e muitos outros doentes desenganados pela medicina da época.

   Em seu primeiro capítulo, ‘A Arte de Magnetizar’ menciona a primazia de Mesmer no despertamento do interesse pelo tema em toda a França, o qual reduziu-se bastante após à Revolução Francesa (1789-1799).
Alguns estudiosos, contudo, não desdenharam estudar aprofundadamente este agente misterioso revelado por Mesmer, e em breve tempo, graças à persistência de alguns e à boa fé de muitos, os efeitos mais extraordinários foram examinados seriamente e o Magnetismo voltou ao círculo de fatos naturais.

   
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