terça-feira, 17 de novembro de 2015

As cavernas de Qumran


Você provavelmente já ouviu falar nos Manuscritos do Mar Morto. Em 1947 foram encontrados em Qumran, 220 rolos de textos bíblicos. O único desses rolos que estava completo, era o rolo de Isaías.

Como foram encontrados os Manuscritos do Mar Morto?
Muhammad Dib é um beduíno que está procurando no deserto, por sua cabra que sumiu. Afastando-se de seu rebanho, ele caminha pelo deserto até deparar-se depara com uma caverna...talvez a cabra tenha  entrado ali. Por pensar que o animal desgarrado tivesse se perdido dentro da caverna, o beduíno começou a jogar pedras pela entrada da gruta a fim de fazê-lo sair lá de dentro. Quando ele ouviu o ruído das pedras que batiam em peças de cerâmica, ficou intrigado – havia encontrado jarros de cerâmica contendo rolos de papiro. A teimosia de sua cabra o levara àquela que pode ser considerada, nos tempos modernos, a maior descoberta de manuscritos: uma incalculável reserva entesourada da Palavra escrita – os Manuscritos do Mar Morto.
Antes da descoberta dos pergaminhos do Mar Morto, os manuscritos mais antigos das Escrituras Hebraicas datavam do século XI d.C ao século XI d.C. Tais manuscritos constituem aquele que é chamado de Texto Massorético, termo este originado da palavra hebraica masorah que significa 'tradição'. Os escribas judeus chamados de massoretas meticulosamente padronizaram o texto hebraico, tornando a obra que realizaram confiável até os dias de hoje. Mas os manuscritos do Mar Morto são mil anos mais antigos que o Texto Massorético. São também mais antigos que a Septuaginta, uma tradução grega do Antigo Testamento elaborada no Egito por 70 sábios, no período de 300 a 200 a.C.
  O Manuscrito do Livro de Isaías encontrado na caverna 1 de Qumran é uma cópia escrita cem anos antes do nascimento de Jesus Cristo, conforme as datações de carbono 14 realizadas. Foi um manuscrito semelhante a esse que Jesus utilizou na Sinagoga da aldeia de Nazaré, quando leu a seguinte passagem das Escrituras: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres" (Lucas 4:18; Isaías 61:1). A seguir Jesus declarou que aquela porção das Escrituras acabara de se cumprir diante dos ouvintes, afirmando dessa forma que Ele mesmo era o Messias de Deus que haveria de vir.
  A mesma passagem bíblica traduzida diretamente a partir do Manuscrito do Livo de Isaías(1Q Isa), e que é mil anos mais antigo que o manuscrito hebraico massorético, diz? "O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque Yahveh me ungiu para pregar as boas novas aos quebrantados". Percebe-se que o texto de Qumran é ainda mais enriquecido que o texto massorético, do qual se basearam todas as traduções do mundo moderno.

Por que os manuscritos e papiros estavam escondidos em grutas existentes em um paredão rochoso?
  O mosteiro, cujas ruínas encontravam-se nas proximidades das cavernas onde os rolos foram encontrados, tinha sido habitado por um grupo de judeus pertencente às seitas dos essênios. Os primeiros religiosos essênios haviam chegado àquela desértica região às margens do Mar Morto por volta do ano 200 antes de Cristo. Com o passar dos anos, muitos outros judeus, simpatizantes da vida reservada dos essênios, ajuntaram-se à comunidade e construíram o mosteiro de Qumran. Muitos chegavam ali fugidos da vida agitada das cidades da Palestina e viam o mosteiro com um refúgio para suas mágoas e desilusões. Tornando-se monges essênios passavam a viver quotidianamente suas horas da manhã trabalhando nas hortas e tecendo linho a fim de proverem a comunidade de alimento e vestuário. À tarde e nas primeiras horas da noite, os essênios liam os livros sagrados, oravam, meditavam e se entregavam à importante tarefa de criar cópias fiéis dos manuscritos antigos, de modo que a Palavra de Deus não se perdesse, dado que os papiros e mesmo os pergaminhos não resistiam à ação do tempo. Sempre era necessário recopiá-los para substituir os velhos escritos. No ano 70 de nossa era, o mosteiro de Qumran foi agitado pela notícia do fracasso da revolta judaica contra o governo romano, que até então dominara a Palestina. Várias batalhas estavam sendo travadas em diferentes lugares e iam culminar na destruição de Jerusalém e do Templo de Salomão pelas tropas comandadas pelo general romano Tito, destruindo também a cidade e Israel deixaria de existir como estado judaico até 1948. Em seguida os romanos conquistariam e destruiriam a comunidade essênica de Qumran e também a fortaleza de Massada, localizada próxima a Qumran.  Jesus já tinha previsto este fato, conforme anotado em Mateus 24:1-2. Os essênios compreenderam o que as notícias significavam para eles: tinham que fugir apressadamente de Qumran, pois a X Legião Romana não tardaria a aparecer para matá-los e destruir o mosteiro. A grande preocupação daqueles homens foi esconder todos os livros de sua biblioteca - os manuscritos do Antigo Testamento corriam perigo. Sabendo da existência de alguns cavernas muito bem ocultas entre os penhascos distantes não mais do que um quilômetro do mosteiro, utilizaram-se das grutas para abrigar em segurança os preciosos rolos. Enrolados e revestidos em panos de linho, colocados em altos cântaros de cerâmica com as bocas muito bem vedadas, na ausência da luz e infensos a variações de umidade, os manuscritos foram preservados por séculos, até que após 2 mil anos, os olhos humanos puderam novamente contemplá-los. Escavações realizadas nas ruínas do mosteiro de Qumran levaram os arqueólogos a descobrir pedaços de cântaros e restos de tecidos de linho - o mesmo material que havia sido utilizado para proteger os manuscritos escondidos pelos essênios nas cavernas. Também foram encontradas moedas usadas no tempo de Jesus, o que contribuiu para a confirmação da datação do carbono 14.

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