sábado, 5 de dezembro de 2015

Considerações de Allan Kardec sobre a qualidade da literatura mediúnica




  Há em muitos livros mediúnicos, pontos que estão em desacordo com a doutrina espírita.
  Nos primeiros quinze anos do terceiro milênio tornou-se conhecida uma centena de análises da literatura mediúnica. Mas o número de livros mediúnicos publicados no período é de alguns milhares.

  Allan Kardec, em seu Catálogo Racional – Obras para se fundar uma Biblioteca Espírita, de 1869, listou sob a denominação de obras fundamentais da doutrina espírita, a série de livros escritos em consonância com a colaboração e a revisão dos Espíritos Superiores. Percorrendo as suas obras fundamentais, podemos colher muitas referências conceituais orientadoras do exame das obras mediúnicas.
Alguns dessas referências são:
  ‘O Livro dos Espíritos’ esclarece que espíritos inferiores não dão bons conselhos, nem informações uteis. (Introdução, item IV)
  ‘O Livro dos Médiuns’ define a necessidade de repelirmos aquilo que não esteja em consonância com os pontos principais do Espiritismo, mesmo que seja necessário deixar de propagar algumas verdades, se de mistura encontrar-se apenas uma única falsidade. (item 230)
  Em ‘O Evangelho segundo o Espiritismo’ somos convocados a aplicar nossa razão,  submetendo a exame tudo que vier dos espíritos.  (Introdução)
  ‘O Céu e o Inferno’ orienta que podemos ajuizar a qual categoria da Escala pertence um Espírito, se atentarmos para a linguagem que ele utiliza. (Intervenção dos demônios nas modernas manifestações, item 13)
  Em ‘A Gênese’, instrui-se-nos que para zelarmos pela doutrina espírita devemos aplicar o critério da lógica à opinião da coletividade dos espíritos.  (Introdução)
  Em ‘O Que é o Espiritismo’ apresenta-se o entendimento de não acreditar sem exame em tudo o que os Espíritos afirmam. (Segundo Diálogo)
  Em ‘O Espiritismo em sua expressão mais simples’ estabelece-se o conceito de que as más inclinações com que deparamos em um Espírito constituem vestígios de suas imperfeições (item 21)
  Em ‘Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas’ está explicitado que uma comunicação leviana prova a má qualidade do espírito comunicante. (item 25)
  Em ‘Caráter da Revelação Espírita’, inserido na obra A Gênese, esclarecemo-nos de que todos os tipos de espíritos se comunicam, e não apenas os superiores, motivo pelo qual não podemos “abdicar o uso da própria razão.” (item 57)
  Em ‘Viagem Espírita em 1862’ somos chamados a observar que não pode ser um Espírito moralmente acima da matéria aquele que reconhece em alguém um inimigo ou deseja o mal de alguém. (Discursos Pronunciados nas Reuniões Gerais dos Espíritas de Lyon e Bordeaux)

  A ‘Revista Espírita’ de fevereiro de 1859  fortalece-nos a obrigação de mantermos cautela quanto às publicações de origem suspeita. 
           Osvaldo Camargo Bräscher

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