domingo, 8 de novembro de 2015

Os parâmetros verificadores da literatura mediúnica



Os parâmetros são meios de comparações necessárias, dos quais nos valemos para aferir bom senso e fidelidade doutrinária.
Orientando-nos pelos pontos exarados nas obras fundamentais do Espiritismo, reunimos aqui os critérios doutrinários sob a forma de parâmetros verificadores da qualidade das obras mediúnicas em relação aos princípios da doutrina espírita.

Estes parâmetros de análise são:
Verificação da linguagem
Verificação do discurso
Verificação da razão, do bom senso e da lógica
Verificação da fidelidade doutrinária

OS PARÂMETROS DOUTRINÁRIOS VERIFICADORES DA QUALIDADE DA LITERATURA MEDIÚNICA

I. VERIFICAÇÃO DA LINGUAGEM
1. Linguagem pretenciosa e arrogante
 “Os Espíritos superiores usam sempre de uma linguagem digna, nobre, elevada, sem eiva de trivialidade; tudo dizem com simplicidade e modéstia, jamais se vangloriam, nem se jactam de seu saber, ou da posição que ocupam entre os outros. A dos Espíritos inferiores ou vulgares sempre algo refletem das paixões humanas. Toda expressão que denote baixeza, pretensão, arrogância, fanfarronice, acrimônia, é indício característico de inferioridade e de embuste, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e venerado”. (LM 267, nº 4)


2. Contradição
 “A linguagem dos Espíritos elevados é sempre idêntica, senão quanto à forma, pelo menos quanto ao fundo.  Os pensamentos são os mesmos, em qualquer tempo e em todo lugar. Podem ser mais ou menos desenvolvidos, conforme as circunstâncias, as necessidades e as faculdades que encontrem para se comunicar; porém, jamais serão contraditórios. Se duas comunicações, firmadas pelo mesmo nome, se mostram em contradição, uma das duas é evidentemente apócrifa e a verdadeira será aquela em que nada desminta o conhecido caráter da personagem. Sobre duas comunicações assinadas, por exemplo, com o nome de São Vicente de Paulo, uma das quais propendendo para a união e a caridade e a outra tendendo para a discórdia, nenhuma pessoa sensata poderá equivocar-se”. (LM 267, nº 6)

3. Falta de escrúpulos
 “Os bons Espíritos são muito escrupulosos no tocante às atitudes que hajam de aconselhar. Elas, qualquer que seja o caso, nunca deixam de objetivar um fim sério e eminentemente útil. Devem, pois, ter-se por suspeitas todas as que não apresentam este caráter, ou sejam condenáveis perante a razão, e cumpre refletir maduramente antes de tomá-las, a fim de evitarem-se mistificações desagradáveis”. (LM 267, nº 15)

4. Falta de indulgência para com faltas alheias
 “Também se reconhecem os bons Espíritos pela prudente reserva que guardam sobre todos os assuntos que possam trazer comprometimento. Repugna-lhes desvendar o mal, enquanto que aos Espíritos levianos, ou malfazejos apraz pô-lo em evidência. Ao passo que os bons procuram atenuar os erros e pregam a indulgência, os maus os exageram e sopram a cizânia, por meio de insinuações pérfidas”. (LM 267, nº 16)
5. Agitação febril
 “Os Espíritos maus, ou simplesmente imperfeitos, ainda se traem por indícios materiais, a cujo respeito ninguém se pode enganar. A ação deles sobre o médium é às vezes violenta e provoca movimentos bruscos e intermitentes, uma agitação febril e convulsiva, que destoa da calma e da doçura dos bons Espíritos”. (LM 267, nº 19)

6. Animosidade
 “Muitas vezes, os Espíritos imperfeitos se aproveitam dos meios de que dispõem, de comunicar-se, para dar conselhos pérfidos. Excitam a desconfiança e a animosidade contra os que lhes são antipáticos. Especialmente os que lhes podem desmascarar as imposturas são objeto da maior animadversão da parte deles. Alvejam os homens fracos, para os induzir ao mal. Empregando alternativamente, para melhor convencê-los, os sofismas, os sarcasmos, as injúrias e até demonstrações materiais do poder oculto de que dispõem, se empenham em desviá-los da senda da verdade”. (LM 267, nº 20)

7. Atitude de frivolidade
a) “Não basta se interrogue um Espírito para conhecer-se a verdade. Precisamos, antes de tudo, saber a quem nos dirigimos; porquanto, os Espíritos inferiores, ignorantes que são, tratam frivolamente das questões mais sérias”. (LM 267, nº 23)

b) “Todo pensamento evidentemente falso, toda a máxima contrária à sã moral, todo conselho ridículo, toda expressão grosseira, trivial ou simplesmente frívola, enfim, toda marca de malevolência, de presunção ou de arrogância, são sinais incontestáveis de inferioridade em um Espírito.” ( Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas item 27)

c) “Os Espíritos inferiores, ignorantes ou orgulhosos, é que suprem a vacuidade das ideias com abundância de frases. Todo pensamento implicitamente falso, toda máxima contrária à sã moral, todo conselho ridículo, toda expressão grosseira, trivial ou simplesmente frívola, qualquer sinal de malevolência, de presunção ou de arrogância, são indícios incontestáveis da inferioridade de um Espírito.” (O Céu e o Inferno, 13)


8. Particularidades mesquinhas
 “Os Espíritos superiores desprezam, em tudo, as puerilidades da forma. Só os Espíritos vulgares ligam importância a particularidades mesquinhas, incompatíveis com ideias verdadeiramente elevadas. Toda prescrição meticulosa é sinal certo de inferioridade e de fraude, da parte de um Espírito que tome um nome imponente”. (LM 267, nº 12)

9. Vulgaridades e puerilidades
a) “Afastar tudo quanto é vulgar no estilo e nas ideias, ou pueril pelo assunto”. (Revista Espírita, maio 1863)

b) “Da parte dos Espíritos superiores, o gracejo é muitas vezes fino e vivo, nunca, porém, trivial. Nos Espíritos zombadores, quando não são grosseiros, a sátira mordaz é, não raro, muito apropositada.” (LM 267, nº 24)

c) A linguagem dos Espíritos inferiores é inconsequente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, por malicia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e se divertem a custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falazes esperanças. (LE, Introdução, item VI)

d) Dos espíritos inferiores “só se devem esperar futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações.” (O Livro dos Espíritos, Introdução)

e) “A trivialidade e a grosseria das expressoes, neles, como nos homens, e sempre indicio de inferioridade moral, mas tambem intelectual. Suas comunicações exprimem a baixeza de seus pendores e, se tentam iludir, falando com sensatez, não conseguem sustentar por muito tempo o papel e acabam sempre por se trairem.” (O Livro dos Espíritos, item 102)

f) “Dispõem de conhecimentos bastante amplos, porem, creem saber mais do que realmente sabem. Tendo realizado alguns progressos sob diversos pontos de vista, a linguagem deles aparenta um cunho de seriedade, de natureza a iludir com respeito as suas capacidades e luzes. Mas, em geral, isso não passa de reflexo dos preconceitos e ideias sistemáticas que nutriam na vida terrena. E uma mistura de algumas verdades com os erros mais absurdos, nos quais penetram a presunção, o orgulho, o ciúme e a obstinação, de que ainda não puderam despir-se.” (O Livro dos Espíritos, item 104)

10. Atitude de ostentação
 “Os conhecimentos de que alguns Espíritos se enfeitam, às vezes, com uma espécie de ostentação, não constituem sinal da superioridade deles. A inalterável pureza dos sentimentos morais é, a esse respeito, a verdadeira pedra de toque”. (LM 267, nº 22)

10. Propensão para o mal
 “Admitido que os bons Espíritos só podem dizer e fazer o bem, de um bom Espírito não pode provir o que tenda para o mal”. (LM 267, nº 3)

II. VERIFICAÇÃO DO DISCURSO
11. Discurso prolixo
a) “Os Espíritos superiores se exprimem com simplicidade, sem prolixidade. Têm o estilo conciso, sem exclusão da poesia das ideias e das expressões, claro, inteligível a todos, sem demandar esforço para ser compreendido. Têm a arte de dizer muitas coisas em poucas palavras, porque cada palavra é empregada com exatidão. Os Espíritos inferiores, ou falsos sábios, ocultam sob o empolamento, ou a ênfase, o vazio de suas ideias. Usam de uma linguagem pretensiosa, ridícula, ou obscura, à força de quererem pareça profunda.” (LM 267, nº 9)

b) “Procurai, na palavra, a sobriedade e a concisão; poucas palavras, muitas coisas”. (Revista Espírita 1862)

12. Discurso impositivo
 “Os bons Espíritos nunca ordenam; não se impõem, aconselham e, se não são escutados, retiram-se. Os maus são imperiosos; dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam, haja o que houver. Todo Espírito que impõe trai a sua inferioridade. São exclusivistas e absolutos em suas opiniões; pretendem ter o privilégio da verdade. Exigem crença cega e jamais apelam para a razão, por saberem que a razão os desmascararia.” (LM 267, nº 10)
                            
13. Lisonja
 “Os bons Espíritos não lisonjeiam; aprovam o bem feito, mas sempre com reserva. Os maus prodigalizam exagerados elogios, estimulam o orgulho e a vaidade, embora pregando a humildade, e procuram exaltar a importância pessoal daqueles a quem desejam captar.” (LM 267, nº 11)

14. Discurso preconceituoso
 “Os Espíritos dos que na Terra tiveram uma única preocupação, material ou moral, se se não desprenderam da influência da matéria, continuam sob o império das ideias terrenas e trazem consigo uma parte dos preconceitos, das predileções e mesmo das manias que tinham neste mundo. Fácil é isso de reconhecer-se pela linguagem de que se servem”. (LM 267, nº 21)

15. O caráter moral
 “Estudando-se cuidadosamente o caráter dos Espíritos que se apresentam, sobretudo do ponto de vista moral, reconhecem-se-lhes a natureza e o grau de confiança que devem merecer. O bom senso não poderia enganar”. (LM 267, nº 25)

16. Nomes ridículos
 “Deve-se desconfiar dos nomes singulares e ridículos, que alguns Espíritos adotam, quando querem impor-se à credulidade; fora soberanamente absurdo tomar a sério semelhantes nomes”. (LM 267, nº 13)

17. Nomes venerados
a) “Deve-se igualmente desconfiar dos Espíritos que com muita facilidade se apresentam, dando nomes extremamente venerados, e não lhes aceitar o que digam, senão com muita reserva. Aí, sobretudo, é que uma verificação severa se faz indispensável, porquanto isso não passa muitas vezes de uma máscara que eles tomam, para dar a crer que se acham em relações íntimas com os Espíritos excelsos. Por esse meio, lisonjeiam a vaidade do médium e dela se aproveitam frequentemente para induzi-lo a atitudes lamentáveis e ridículas”. (LM 267, nº 14)

b) Os espíritos inferiores “muitas vezes tomam nomes venerados, a fim de melhor induzirem ao erro.”(O Livro dos Espíritos, Introdução)

c)  Quanto aos Espíritos que se apropriam de nomes respeitáveis, esses se traem logo pela linguagem que empregam e pelas máximas que formulam. (O Livro dos Espíritos, Introdução)


III. VERIFICAÇÃO DA RAZÃO, DO BOM SENSO E DA LÓGICA
18. O exame da razão
a) “O primeiro exame é o da razão, a qual é preciso submeter, sem exceção, tudo quanto vem dos espíritos.” (Evangelho segundo o Espiritismo – Introdução)

b) “Jamais os bons Espíritos aconselham senão o que seja perfeitamente racional. Qualquer recomendação que se afaste da linha reta do bom senso, ou das leis imutáveis da Natureza, denuncia um Espírito atrasado e, portanto, pouco merecedor de confiança”. (LM 267, nº 18)

19. “Não há outro critério, senão o bom senso, para se aquilatar do valor dos Espíritos. Absurda será qualquer fórmula que eles próprios dêem para esse efeito e não poderá provir de Espíritos superiores.” (LM 267, nº 1)

20.  Equívocos de lógica
“É pela lógica que se deve combater e não pelas pessoas, injúrias e represálias.” (Revista Espírita. Maio de 1863)

21. Reunir esforços intelectivos para avaliar
a) “Nem todos os Espíritos sérios são igualmente esclarecidos; há muita coisa que eles ignoram e sobre que podem enganar-se de boa-fé. Por isso é que os Espíritos verdadeiramente superiores nos recomendam de contínuo que submetamos todas as comunicações ao crivo da razão e da mais rigorosa lógica.” (LM 136)

b) “Eu não aceito jamais nada sem exame e sem controle; não adoto uma ideia a não ser que ela me pareça racional, lógica, se está de acordo com os fatos e as observações, se nada de sério a vem contradizer.” (Revista Espírita, 1859)

c) “Não se deve julgar da qualidade do Espírito pela forma material, nem pela correção do estilo. É preciso sondar-lhe o íntimo, analisar-lhe as palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção. Qualquer ofensa à lógica, à razão e à ponderação não pode deixar dúvida sobre a sua procedência, seja qual for o nome com que se ostente o Espírito.” (LM 267, nº 5)

22. Afirmações contrárias à caridade
 “Os bons Espíritos só prescrevem o bem. Máxima nenhuma, nenhum conselho, que se não conformem estritamente com a pura caridade evangélica, podem ser obra de bons Espíritos”. (LM 267, nº 17)

23. Não sabe do que fala
 “Os bons Espíritos só dizem o que sabem; calam-se ou confessam a sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com desassombro, sem se preocuparem com a verdade. Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom-senso, aponta a fraude, desde que o Espírito se dê por ser um Espírito esclarecido”. (LM 267, nº 7)

24. Previsão de datas
 “Reconhecem-se ainda os Espíritos levianos, pela facilidade com que predizem o futuro e precisam fatos materiais de que não nos é dado ter conhecimento. Os bons Espíritos fazem que as coisas futuras sejam pressentidas, quando esse pressentimento convenha; nunca, porém, determinam datas. A previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é indício de mistificação”. (LM 267, nº 8)

IV. VERIFICAÇÃO DA FIDELIDADE DOUTRINÁRIA
25.  Ausência de fidelidade aos princípios espíritas
a) “Há polêmica e polêmica; e há uma diante da qual não recuaremos jamais, que é a discussão séria dos princípios que professamos." (Allan Kardec, Revista Espírita - Nov/1858)

b) “Eis, porque, repito, é necessário que saibamos distinguir aquilo que a doutrina espírita aceita daquilo que ela repudia.” (Viagem Espírita em 1862)

26. Identificar quando se trata apenas de opinião pessoal
a) “Os Espíritos que formam a população invisível da Terra são, de alguma sorte, o reflexo do mundo corporal; neles se encontram os mesmos vícios e as mesmas virtudes; há entre eles sábios, ignorantes e charlatães, prudentes e levianos, filósofos, raciocinadores, sistemáticos; como se não se despissem de seus prejuízos, todas as opiniões políticas e religiosas têm entre eles representantes; cada um fala segundo suas ideias, e o que eles dizem é, muitas vezes, apenas a sua opinião pessoal; eis o motivo por que se não deve crer cegamente em tudo o que dizem os Espíritos.” (O Que é o Espiritismo, segundo diálogo, Allan Kardec)


 b) “Saibam, pois que tomamos toda opinião exprimida por um Espírito por uma opinião individual; que não a aceitamos senão depois de havê-la submetido ao controle da lógica e dos meios de investigação que a própria ciência espírita nos forneceu.” (Revista Espírita, 1859)
  Osvaldo Camargo Bräscher

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