sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

livro Alquimia da Mente

autor: Hermínio Correa de Miranda  

Editora: Publicações Lachâtre Editora Ltda
Copyright: 1994
2ª edição, 2005
311 páginas

  Hermínio Miranda, autor de quatro dezenas de livros, apoia em Alquimia da Mente, a tese de que parte de nós está mergulhada na encarnação atual, e outra parte de nós não está.  
Os alquimistas da Idade Média teriam antecipado esta visão.


Análise de trechos

1º trecho

  Falando a respeito de uma intuição sua sobre a memoria. Afirma que não encontrou nada em Allan Kardec, nem em obras subsidiárias como por exemplo os livros de André Luiz. Estava prestes a esquecer definitivamente o que poderia ser o argumento principal deste livro, quando encontrou um excerto de muita importância em texto da psicografia de Francisco Cândido Xavier:

            "A memória como que retira da câmara cerebral, às pressas, o conjunto das imagens que gravou em si mesma, durante a permanência na carne, a fim de incorporá-las, definitivamente, aos seus arquivos eternos." (livro Falando à Terra, Romeu A.Camargo)
Aí estava, pois, documentado o mágico fenômeno da transcrição, a demonstrar a existência de um arquivo transitório na  personalidade e um definitivo na individualidade. Concluída a tarefa de viver no corpo, os arquivos são recolhidos, portanto, a lugar seguro. (pág. 15)

  Eis aí, em Hermínio, um reto modo de pensar que nos convém a todos, em matéria de trazer novidades para o corpo progressivo da ciência espírita: apoiar as próprias teses nos esforços de elucidação de outros companheiros.



2º trecho

   Pelo que ficou dito até aqui, continuo entendendo como válida a proposta de caracterização da mente, in A Memória e o Tempo, para fins meramente didáticos, em três áreas distintas: consciente (personalidade, lobo esquerdo) como um sistema de passagem, ínput/output, gravação/reprodução; subconsciente, material da presente existência recolhido a uma espécie de arquivo provisório ou temporário; e, finalmente, o inconsciente (individualidade, lobo direito), material esquecido, de vidas anteriores e que pode ser recuperado por alguns procedimentos psicológicos, como o do sonho e o da regressão de memória. Percebo agora, a possibilidade de certa forma de diálogo entre consciente e inconsciente, através do subconsciente, de vez que este parece possuir algo em comum com ambos. (pág. 109-110)

  Temos nesse trecho, Hermínio trafegando pelos conceitos psicológicos clássicos, e indicando a possibilidade de compreendermos melhor a conversação que acontece permanentemente no nosso íntimo.
  Tudo aquilo que pudermos compreender melhor, a respeito de nós mesmos, em ditames seguros, nos possibilita avançarmos no conhecimento de nós mesmos, e em melhor ensanchas de disciplinarmos o mundo interior.

3º trecho
  As correlações que o autor faz com variados estudiosos do Espiritismo e das ciências psíquicas permite ao leitor associar conceitos novos, ao sabor de afirmações clássicas  revisitadas. Neste trecho, Hermínio avalia a existência de um psiquismo rudimentar nas células do corpo humano.

  (...) o psiquismo humano, como um todo, comanda a vastíssima comunidade celular, como regente de uma afinada orquestra. Parece-me difícil, senão impraticável, realizar essa proeza sem que alguma forma de psiquismo esteja presente em cada uma das células que vivem intensamente suas trocas e funções dentro do edifício biológico, recebendo ordens e expedindo sinais, em estreito e permanente intercâmbio com o "comando central". Convém lembrar que estamos falando da hipótese de existir uma faculdade mnemónica na célula, não de uma função consciente, o que faz enorme diferença. Os animais, por exemplo, dispõem de evidente função psíquica, embora inconsciente.
   Lê-se, aliás, em A Evolução Anímica, do pensador francês Gabriel Delanne, a proposta de uma "memória orgânica", que ele caracteriza como "inconsciente fisiológico", em contraste com a "memória psíquica" (p. 136 e seg.). Trabalhando articuladamente, ambas inconscientes, teriam "um território comum da alma e do corpo". Juntas, seriam responsáveis pelo gerenciamento dos instintos. (pág. 201)


CONCLUSÃO: Um livro que traz conceituações aprofundadas de muitas dezenas de estudiosos, sob o formato didático que caracteriza o autor Hermínio Miranda, permitindo visitar conceitos novos e quase revolucionários, que estão presentes, também, nas melhores descobertas dos alquímicos da Idade Média.

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