quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

livro Eustáquio

Eustáquio – XV séculos de uma trajetória
autor: Cairbar Schutel
psicografia: Abel Glaser
Editora: Casa Editora O Clarim
2ª edição, ano 1998
265 páginas

  Romance histórico mediúnico, acompanhado de esboços de mapas geográficos, desenhos representativos dos personagens, um glossário de nomes, o resumo geral dos personagens e um índice remissivo, o que facilita sobremaneira as buscas de interesses específicos do leitor. O personagem central é Eustáquio, passando por várias vidas na Terra, no total de 17 encarnações mencionadas em 1500 anos.

Análise de trechos

1º trecho, Prefácio
  O médium chama atenção para o fato de que as descrições dos problemas comportamentais verificados no seio das religiões mencionadas referem-se a inferioridade própria dos religiosos, insuficientes, em seus esforços para valorizar as oportunidades vivenciais:

Menções a Igreja Católica, Ordem Beneditina e outras instituições não espelham, decerto, o procedimento da totalidade dos seus membros.” (pág. 11)

  A citação de diversas explicações situam o leitor em ambiente de compreensão para com nomes de pessoas e países, datas e acontecimentos históricos.

  É sempre importante que cada livro traga uma apresentação prefaciada do tema, de modo que o leitor se situe a respeito dos objetivos da obra que vai ler, e possa ser orientado para com a distribuição geral das matérias. Nesse sentido o livro ‘Eustáquio’ cumpre satisfatoriamente os objetivos introdutórios.


2º trecho

  “Permanecendo impassível ao lado do corpo material inerte no chão, Eustáquio, sem qualquer consciência de seu desencarne, continua a dar ordens às suas tropas, aguardando ser atendido sem questionamentos. Materialista como sempre fora, jamais iria supor que estivesse morto para o plano físico. Gradativamente, sua ira vai crescendo, pois ninguém repara na sua presença e muito menos segue às suas determinações.” (pág. 22)

  A doutrina espírita afirma, por meio de O Evangelho segundo o Espiritismo, que não alcançam libertação imediata após a morte, aqueles que viveram a vida corpórea voltados à prática de equívocos de grande proporção:

    A fé no futuro, a orientação do pensamento, durante a vida, para os destinos vindouros, favorecem e aceleram o desligamento do Espírito, por enfraquecerem os laços que o prendem ao corpo, tanto que, frequentemente, a vida corpórea ainda se não extinguiu de todo, e a alma, impaciente, já alçou o vôo para a imensidade. Ao contrário, no homem que concentra nas coisas materiais todos os seus cuidados, aqueles laços são mais tenazes, penosa e dolorosa é a separação e cheio de perturbação e ansiedade o despertar no além-túmulo. (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 27, Pedi e Obtereis, item 40)

  Nova explicação condizente com a condição dos espíritos perturbados é trazida pelo autor: 
  “O orgulho e a vaidade, associados ao materialismo, são as bases do sofrimento de muitos Espíritos, tão logo deixam eles o corpo físico. Não se sentem desencarnados e integrantes de uma nova vida.” (pág. 29)

3º trecho

  A narrativa de uma reunião mediúnica em pleno século VI a.C em um grupo cristão não-católico onde se proporciona atendimento aos espíritos obsessores de Eustáquio, quando este contava 15 anos de idade:
“(...) podia-se acompanhar o incansável trabalho dos Mentores para higienizar o ambiente, afastando as entidades menos esclarecidas que estavam acompanhando Eustáquio.(...)
Acostumados aos aspectos negativos da obsessão, os cristãos ali reunidos logo perceberam o motivo da visita de Eustáquio a sua morada. Ele estava seriamente envolvido com Espíritos do mais vulgar patamar evolutivo. A sua doença era fruto da própria invigilância e, apesar do ambiente positivo que sempre fora proporcionado pelos pais, o perispírito do rapaz não conseguia resistir aos intermitentes ataques sofridos, impregnando-se de cargas magnéticas negativas. O resultado espelhou-se em uma tuberculose que a medicina não conseguia curar. Uma a uma, foram atendidas as entidades que assediavam continuamente Eustáquio.” (p. 33-35)

  Uma narrativa condizente com os esforços de atendimento espiritual que alguns núcleos cristãos levavam a efeito.

  Quanto à questão do períspirito intermediando a doença do espírito para o corpo físico, comparemos com o texto do estudioso Zalmiro Zimmermann, no livro Perispírito:

  Mas não é somente no domínio das causas visíveis, que se originam os processos patológicos multiformes. Nossas emoções doentias mais profundas, quaisquer que sejam, geram estados enfermiços. (...)Tendo-se presente que a mente é geradora de saúde e de doença, mágoas, ressentimentos, desesperos, atritos e irritações entretecem crises do pensamento, estabelecendo lesões mentais que culminam em processo patológicos.

CONCLUSÃO: As afirmações do espírito autor da obra ‘Eustáquio’ em nada contradizem o que afirma a doutrina espírita.
 Podemos aplicar-lhe o parâmetro verificador – linguagem digna

 Reconhece-se a qualidade dos Espíritos por sua linguagem; a dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica e isenta de contradições; nela se respira a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a mais pura moral; ela é concisa e despida de redundâncias. (O Que é o Espiritismo, Allan Kardec)

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