domingo, 13 de dezembro de 2015

Os atributos de Deus

Revelação de Jesus a João


 Reproduzimos abaixo, o texto Comunhão com Deus, do livro ‘Boa Nova’, de Humberto de Campos, na psicografia de Francisco Cândido Xavier.
 Trata-se de um texto relativamente longo, mas afiançamos aos leitores que valerá a pena conhecê-lo todo, pois Jesus de Nazaré fará uma revelação surpreendente não apenas sobre onde é o reino do céus mas também sobre o que há nele.
  Logo após o final do texto, colocamos duas instruções contidas nas obras fundamentais do Espiritismo, com as quais esperamos colaborar para o melhor fixação daquilo que Jesus revelou.


Comunhão com Deus (livro Boa Nova, Humberto de Campos)
A esse tempo, os essênios constituíam um agrupamento de estudiosos das ciências da alma, caracterizando as suas atividades de modo diferente, porque sem públicas manifestações de seus princípios. Desejoso de satisfazer à curiosidade própria, João procurou conhecer-lhes, de perto, os pontos de vista, em matéria das relações da comunidade com Deus e, certo dia, procurou o Senhor, de modo a ouvi-lo mais amplamente sobre as dúvidas que lhe atormentavam o coração:
- Mestre - disse ele, solícito -, tenho desejado sinceramente compreender os meus deveres atinentes à oração, mas sinto que minhalma está tomada de certas hesitações. Anseio por esta comunhão perene com o Pai; todavia, as ideias mais antagônicas se opõem aos meus desejos. Ainda agora, manifestando meu pensamento, acerca de minhas necessidades espirituais, a um
amigo que se instrui com os essênios, asseverou-me ele que necessito compreender que toda edificação espiritual se deve processar num plano oculto. Mas, suas observações me confundiram ainda mais. Como poderei entender isso? Devo, então, ocultar o que haja de mais santo em meu coração?

O Messias, arrancado de suas meditações, respondeu com brandura:
- João, todas as dúvidas que você tem acontecem porque você ainda não compreendeu, até agora, que cada criatura tem um santuário no próprio espírito, onde a sabedoria e o amor de Deus se manifestam, através das vozes da consciência.
 Os essênios levam muito longe a teoria do labor oculto, pois, antes de tudo, precisamos considerar que a verdade e o bem devem ser patrimônio de toda a Humanidade em comum.
 No entanto, o que é indispensável é saber dar a cada criatura, de acordo com as suas necessidades próprias e nesse ponto, estão muito certos quanto ao zelo que os caracteriza, porque os unguentos reservados a um ferido não se ofertam ao faminto que precisa de pão.
 Também eu tenho afirmado que não poderei ensinar tudo o que desejara aos meus discípulos, sendo compelido a reservar outras lições da Boa Nova do Reino para o futuro, quando a magnanimidade divina permitir que a voz do Consolador se faça ouvir entre os homens sequiosos de conhecimento.
 Não tens observado o número de vezes em que necessito recorrer a parábolas para que a revelação não ofusque o entendimento das pessoas?
 No que se refere à comunhão de nossas almas com Deus, não me esqueci de recomendar que cada espírito deve orar no segredo do seu íntimo, no silêncio de suas esperanças e aspirações mais sagradas.
 É que cada criatura deve estabelecer o seu próprio caminho para mais alto, construindo em si mesma o santuário divino da fé e da confiança, onde interprete sempre a vontade de Deus, com respeito ao seu destino.
 A comunhão da criatura com o Criador é, portanto, uma necessidade da existência e a prece é o caminho entre o coração humano e o Pai de infinita bondade.

O apóstolo escutou as observações do Mestre, parecendo meditar austeramente.
 Mas, na oração devemos pedir ou agradecer a Deus?
 Por prece devemos interpretar todo ato de relação entre o homem e Deus. Os que usam a oração apenas para pedir podem ser ignorantes, e aqueles que só agradecem podem ser preguiçosos.
 Todo aquele, porém, que trabalha pelo bem, com as suas mãos e com o seu pensamento, saberá orar agradecendo ou pedindo, porque em todas as circunstâncias será fiel a Deus, porque está aceitando que a vontade do Pai é mais justa e sábia do que a sua própria.
 E como ser fiel a Deus, na oração? Fazendo uma prece a pessoa já não está demostrando que é fiel a Deus?
 João, será que também tu não entendes? Apesar da confiança que uma pessoa tem quando faz uma oração e apesar da fé na providência superior, é preciso colocar acima da confiança e da fé a certeza de que os desígnios celestiais são mais sábios e misericordiosos do que o capricho próprio;   é necessário que cada um se una ao Pai, comungando com a Sua vontade generosa e justa, mesmo que a pessoa se veja contrariada nos seus caprichos em determinadas orações.
 Observe como na natureza as leis de Deus são servas fiéis de Deus e expressam assim a Sua amorosa sabedoria. Já viste falar, alguma vez, que o Sol se afastou do céu, cansado da paisagem escura da Terra, alegando a necessidade de repousar? A pretexto de indispensável repouso, teriam as águas privado o globo de seus benefícios, em certos anos? Por desagradável que seja em suas características, a tempestade jamais deixou de limpar as atmosferas. Apesar das lamentações dos que não suportam a umidade, a chuva não deixa de fecundar a terra! João, é preciso aprender com as leis da natureza a fidelidade a Deus!
  Quem acompanha as leis de Deus, no mundo, planta e colhe com abundância. Observar a lealdade para com o Pai é semear e atingir as mais formosas searas da alma no infinito.
  Percebe, João, que todo o problema da oração está em edificarmos o reino do céu entre os sentimentos de nosso íntimo, compreendendo que os atributos de Deus se encontram também em nós. (grifo nosso)

- Mestre, eu vos peço, com a sinceridade da minha afeição, me ensineis, na primeira oportunidade como deverei entender que Deus está igualmente em nós.
- Eu to prometo.

  No dia seguinte, Jesus e João dirigiram-se a Jericó, a fim de atender ao programa de viagem organizado por Jesus.
  Na excursão a pé, ambos se entretinham em admirar as poucas belezas do caminho, escassamente favorecido pela Natureza. A paisagem era árida e as árvores existentes apresentavam as frondes recurvadas, entremostrando a pobreza da região, que não lhes incentivava o desenvolvimento.
  Não longe de uma pequena propriedade, o Mestre e o apóstolo encontraram um rude lavrador, cavando grande poço à beira do caminho. Bagas de suor lhe desciam da fronte; mas, seus braços fortes iam e vinham à terra, na ânsia de procurar o líquido precioso.
Ante aquele quadro, Jesus estacionou com o discípulo, a pretexto de breve descanso, e, revelando o interesse que aquele esforço lhe despertava, perguntou ao trabalhador:
- Amigo, que fazes?
- Estou cavando um poço, aqui há muita falta d´água.
- A chuva é assim tão escassa nestas paragens?
- Sim, na região de Jericó, ultimamente, a chuva se vem tornando uma verdadeira graça de Deus.
  O homem do campo prosseguiu no seu trabalho exaustivo; mas, apontando para ele, o Messias disse a João, em tom amigo:
- Este quadro da Natureza é bastante singelo; porém, é na simplicidade que encontramos os símbolos mais puros. Observa, João, que este homem
compreende que sem a chuva não haveria mananciais na Terra; mas, não pára em seu esforço, procurando o reservatório que a Providência Divina armazenou no subsolo.
  A imagem é pálida; todavia, chega para compreenderes como Deus reside também em nós.   Dentro do símbolo, temos de entender a chuva como o favor de sua misericórdia, sem o qual nada possuiríamos. Esta paisagem deserta de Jericó pode representar a alma humana, vazia de sentimentos santificadores como um deserto.
  Este trabalhador é o cristão ativo, cavando junto dos caminhos áridos, muitas vezes com sacrifício, suor e lágrimas, para encontrar a luz divina em seu coração. E a água é o símbolo mais perfeito da essência de Deus, que tanto está nos céus como na Terra.
  O discípulo guardou aquelas palavras, sabendo que realizara uma aquisição de claridades para a vida eterna. Contemplou o grande poço, onde a água clara começava a surgir, depois de imenso esforço do humilde trabalhador que a procurava desde muitos dias, e teve nítida compreensão do que constituía a necessária comunhão com Deus. Experimentando indefinível júbilo no coração, tomou das mãos do Messias e as osculou, com a alegria do seu espírito alvoroçado. Confortado, como alguém que vencera grande combate íntimo, João sentiu que finalmente compreendera.”

“Atributos são qualidades que caracterizam o ser e, estão, evidentemente, em relação com a sua íntima natureza.”(O Livro dos Espíritos. Allan Kardec, questão  10)

 “O amor é de essência divina e todos vós, do primeiro ao último, tendes, no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado.” (Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, capítulo XI, Amar o Próximo como a si mesmo)


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