terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O que Allan Kardec gostaria que pesquisássemos

   Todas as reuniões mediúnicas e atividades do passe, nos mais de 20 mil centros espíritas no Brasil - 14 mil dos quais filiados à Federação Espírita Brasileira-, são laboratórios da ciência espírita1. Incluem-se neste rol as reuniões mediúnicas que se realizam sob o mesmo molde, nos vários países onde o Espiritismo se estabeleceu.

   Nas reuniões mediúnicas Allan Kardec fez a ciência nascer e desenvolver-se, conforme registrou o Codificador no livro A Gênese:

“Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as consequências e busca as aplicações úteis.”2 

   Pode-se afirmar que AK esperava de todos os espíritas pesquisassem, no afã de contribuírem para o avanço da ciência espírita, segundo seu pensamento exarado na Revista Espírita:
“Os Espíritos não vêm libertar o Homem do trabalho, do estudo e das pesquisas; não lhe trazem nenhuma ciência achada; naquilo que pode achar por si mesmo, eles o deixam às suas próprias forças. Isso sabem-no hoje perfeitamente os espíritas.”3

   Em muitos momentos AK irá afirmar o modo como os Espíritos contribuem para novas descobertas da ciência espírita, reconhecendo-lhes a cooperatividade e diretividade, mas que efetivamente abre possibilidades de ação para o pesquisador encarnado:

"Passa-se no mundo dos Espíritos um fato muito singular, de que seguramente ninguém houvera suspeitado: o de haver Espíritos que se não consideram mortos. Pois bem, os Espíritos superiores, que conhecem perfeitamente esse fato, não vieram dizer antecipadamente:
“Há Espíritos que julgam viver ainda a vida terrestre, que conservam seus gostos, costumes e instintos.”
[Os Espíritos superiores] provocaram a manifestação de Espíritos desta categoria para que os observássemos. Tendo-se visto Espíritos incertos quanto ao seu estado, ou afirmando ainda serem deste mundo, julgando-se aplicados às suas ocupações ordinárias, deduziu-se a regra. A multiplicidade de fatos análogos demonstrou que o caso não era excepcional, que constituía uma das fases da vida espírita; pôde-se então estudar todas as variedades e as causas de tão singular ilusão, reconhecer que tal situação é sobretudo própria de Espíritos pouco adiantados moralmente e peculiar a certos gêneros de morte; que é temporária, podendo, todavia, durar semanas, meses e anos. Foi assim que a teoria nasceu da observação. O mesmo se deu com relação a todos os outros princípios da doutrina."4 

  Novamente em A Gênese, Allan Kardec esclarece o que se espera dos grupos de espíritas encarnados, no que concerne à iniciativa de pesquisar novos fatos do Espiritismo:

“Os Espíritos não ensinam senão justamente o que é mister para guiá-lo no caminho da verdade, mas abstêm-se de revelar o que o homem pode descobrir por si mesmo, deixando-lhe o cuidado de discutir, verificar e submeter tudo ao cadinho da razão, deixando mesmo, muitas vezes, que adquira experiência à sua custa. Fornecem-lhe o princípio, os materiais; cabe-lhe a ele aproveitá-los e pô-los em obra.5

   Eis aqui o Roteiro indicado pela Federação Espírita Brasileira para fazermos ciência na reunião mediúnica:
1.   Observação: observe algo na reunião mediúnica.
2.   Registro: faça anotações de ocorrência e de perguntas relativas ao que observou.
3.   Comparação dos dados: conduza novas observações sobre o mesmo tipo de ocorrências e formule uma hipótese.
4.   Análise racional e criteriosa dos resultados.
5.  Sistematização dos dados: organize os levantamentos e as hipóteses.
6.   Conclusões finais:  confirme ou rejeite a hipótese .
7.   Publicação: publique no meio espírita os resultados alcançados.6 

FONTES
1  Aécio Pereira Chagas, Introdução à Ciência Espírita, Publicações Lachâtre (2004). 
2  Allan Kardec, A Gênese, cap. I, item 14
3   Revista Espírita, abril de 1866, pág. 104
4  Allan Kardec, A Gênese, cap. I, item 15
5  Allan Kardec, A Gênese, cap. I, Caráter da Revelação Espírita, item 50

6   EADE, FEB, livro V-Ciência e Filosofia Espíritas, roteiro 25

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