segunda-feira, 14 de março de 2016

Dedicação de Chico Xavier




  Todos nós admiramos Francisco Cândido Xavier. Natural que busquemos, na mesma medida que o louvemos, seguir alguns de seus exemplos de vida, com o que, não apenas confirmamos que somos espíritas, mas estruturamos, em nós mesmos, novas práticas de caridade e reformulação de atitudes perante a vida, a cada dia. O Espiritismo é doutrina de renovação permanente. Saibamos verificar, ao lermos o texto que segue abaixo, dedicado a conhecermos um dos aspectos vivenciais de Chico Xavier, verificar no que podemos nós realizar de útil em prol de alguém que sofre conjunções encarnatórias mais graves. Trata-se de um texto da historicidade de Chico Xavier, onde o médium dedica-se longamente por alguém que sofre.

O SOBRINHO DO CHICO

       Um dos sobrinhos do Chico [Xavier] viveu com ele cerca de uma dezena de anos.
       Era uma criança cega, surda, muda e não possuía células gustativas na boca e nas papilas da língua, razão pela qual era alimentada com a introdução de papas diretamente na garganta.
       Nascera quando o médium contava vinte e seis anos. Pelas contingências da vida, Chico, a partir de algum tempo, passou a tê-lo qual seu próprio filho.
       A cunhada, mãe do menino, não podia mais cuidar dele porque sua saúde mental estava comprometida, e suas irmãs, com numerosos filhos, uma com oito, as outras com a prole de dez e doze rebentos, não tinham tempo sequer para olhá-lo.
       No entanto, a criança foi muito amada.
       Chico dedicou-se a ela, substituindo, dentro de suas possibilidades, a mãe ausente, mantendo-a distante de olhares indiscretos, sempre coberta com um véu muito fino para protegê-la dos insetos.
       Quando lá estivemos pela primeira vez, em 1948, na casa velha, em que se instalara o centro espírita, ao lado da sala, onde eram feitos atendimentos, sessões e transmissão de passes, ficava o quarto onde o Chico dormia com a criança.
       Soubemos, posteriormente, que, no período em que ela permaneceu sob seus cuidados, o médium não aceitou convite algum para sair e passear aos sábados e domingos.
       Essa constante intimidade fê-lo adquirir grande afeição pelo entezinho sofredor.
       A comunicação entre ambos era feita por uma espécie de gemido que a criança dava respondendo-lhe as perguntas. Dessa forma eles dialogavam externando seus sentimentos.
       Chico, ao referir-se a esses fatos, anos mais tarde, contou-nos que nunca levava os frequentadores do centro para vê-la porque poderiam dizer:
       — Que médium é esse que não resolve problema algum?
       — Algumas vezes, após longas horas de ausência — prosseguiu — pois só me afastava do menino para os compromissos sérios e de trabalho, eu o higienizava e quedava-me ao seu lado, para dar o amor que lhe faltava.
       Mas eis que, inopinadamente, surgia uma mãe em pranto, pedindo-me auxílio e consolo porque seu filho havia perdido o ano na escola! E eu tinha de deixar o menino para ir atendê-la...
       Depois de significativa pausa, Chico continuou:
       — Assim viveu meu sobrinho até 1949. Quando desencarnou, aos doze anos, parentes se sentirarn aliviados, mas eu sofri muito com a ausência física dele...
       O médium calou-se por uns momentos, e deu sequência ao relato:
       — Depois de um tempo, que me pareceu muito longo, eis que ele me aparece em espírito: era então um moço muito bonito, aparentando vinte e dois anos.
       Da comunicação que se estabeleceu entre nós, em meio às alegrias do seu retorno, após os saudosos anos de ausência, o belo rapaz informou-me que teria de permanecer mais cinquenta anos no Além, com reencarnação programada para o início do Terceiro Milênio.
       Quem fora ele, em vida passada, para sofrer tão severa punição? - pensávamos, intimamente, ao ouvirmos tão comovente história.
       O próprio médium informou-nos, em seguida, que ele era a reencarnação de Antoine Quentin Fouquier Tinville, revolucionário e juiz na França durante o conturbado final do século XVIII.
       Chico, dirigindo-se a nós, em tom mais baixo, acrescentou ainda:
       — Em pleno Tribunal Revolucionário, no período de Terror, quando não havia vítimas para serem levadas à guilhotina, ele enviava algum desconhecido, ou um de seus inimigos, para que a “máquina” não parasse...
       Soubemos, posteriormente, que o nome do infeliz menino — mas que foi profundamente amado pelo generoso médium — era Emmanuel Luiz.
(fonte: livro ‘Inesquecível Chico’, de Romeu Grisi, e Gerson Sestini,  GEEM – Grupo Espírita Emmanuel Sociedade Civil Editora)

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