domingo, 6 de março de 2016

Os princípios da ciência espírita


 A doutrina espírita estrutura-se como ciência, filosofia e religião. Em um texto da Federação Espírita Brasileira publicado em novembro de 1988 na Revista Reformador, o pesquisador espírita e professor da UNICAMP, Silvio Seno Chibeni (foto), escreve sobre “A excelência metodológica do Espiritismo”, do qual extraímos o que segue:

                  "Admite-se que toda ciência tem programas científicos de pesquisa, consistindo de um núcleo rígido de hipóteses teóricas básicas, suplementado por um cinturão protetor de hipóteses auxiliares, que servem para ligar e ajustar o núcleo aos fenômenos de que a ciência trata."

 O Espiritismo é ciência da alma, e terá, portanto, seus programas de pesquisa científica, certamente assentados nas rotinas de ação das instituições espíritas, como resultado expressivo das próprias atividades espíritas individuais e de grupo.
 Quanto ao núcleo rígido de princípios, O Livro dos Espíritos, em sua Introdução, itens 6 e 16 fornece a lista dos pontos principais que o formam . A lista que segue abaixo é apenas parte dos mencionados itens. Escolhemos desconsiderar, nela, os desenvolvimentos e aprofundamentos interpretativos constantes do texto original de Allan Kardec,  de forma que possamos mais facilmente ver, nesse extrato dos princípios, os títulos resumidos que apresentamos mais adiante.  

Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom;  
  criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais;
os Espíritos revestem temporariamente um involucro material perecível, cuja destruição pela morte lhes restitui a liberdade;
deixando o corpo, a alma volta  ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar por nova existência material, apos um lapso de tempo mais ou menos longo.
tendo o Espirito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido muitas existências e que teremos ainda outras     
há no homem três coisas: 1o, o corpo ou ser material análogo aos
animais e animado pelo mesmo principio vital; 2o, a alma ou ser imaterial,
Espirito encarnado no corpo; 3o, o laço que prende a alma ao corpo, principio intermediário entre a matéria e o Espirito;
os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade.
[De todos os princípios fundamentais da doutrina espírita, um dos mais importantes é, incontrastavelmente, aquele que estabelece as diferentes ordens de Espíritos. Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, cap I, Escala Espírita]
os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus da hierarquia espirita.
as diferentes existências corpóreas do Espirito são sempre progressivas e nunca regressivas; mas, a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à perfeição;
os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo;
os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico.
as comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influencia boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as boas das mas inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumentos;
os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se instruírem e melhorarem. A presença
deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos. Longe de se obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem esperar futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes tomam nomes venerados, a fim de melhor induzirem ao erro;
distinguir os bons dos maus Espíritos e extremamente fácil.
a moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto e, fazer o bem e não o mal. Neste principio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações.
 Não e licito negar-se a influência que os assistentes exercem sobre a natureza das manifestações e isso constitui um principio da Doutrina.

Colocaremos agora, sob a forma de títulos resumidos, o extrato dos princípios alinhados acima:
EXISTÊNCIA DE DEUS (hipótese básica)
EXISTÊNCIA DO ESPÍRITO E SUA SOBREVIVÊNCIA APÓS A MORTE (hipótese básica)
REENCARNAÇÃO (hipótese básica)
O PERISPÍRITO (hipótese básica)
ESCALA ESPÍRITA (hipótese básica) (*)
PROGRESSO, EVOLUÇÃO (hipótese básica)
LIVRE ARBÍTRIO (hipótese básica)
PLURALIDADE DOS MUNDOS HABITADOS (hipótese básica)
INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO MATERIAL (hipótese básica)
  COMUNICABILIDADE DOS ESPÍRITOS  (hipótese básica)

AFINIDADE MORAL (hipótese auxiliar)

IDENTIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS (hipótese básica)
A MORAL DE JESUS (hipótese básica)
INFLUÊNCIA DOS ENCARNADOS NA PRODUÇÃO DE FENÔMENOS MEDIÚNICOS (hipótese auxiliar)


(*) é também denominada DIFERENTES CATEGORIAS DOS ESPÍRITOS, conforme o leitor pode verificar na afirmação de Allan Kardec no livro  ‘Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas’, cap I: “De todos os princípios fundamentais da doutrina espírita, um dos mais importantes é, incontrastavelmente, aquele que estabelece as diferentes ordens de Espíritos. (grifo nosso)

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