domingo, 1 de maio de 2016

A proposta espírita



A proposta espírita é a educação do espírito.

O Espiritismo é uma ciência, uma filosofia e uma religião.
De que maneira podemos colher na fonte, em sua essência, os seus benefícios?
Será através dos nossos esforços na caridade, ou em nossos investimentos nos estudos e no esclarecimento?
Podemos conhecer, nas questões seguintes de O Livro dos Espíritos, a respeito do desenvolvimento intelectual e do despertar do progresso moral nas criaturas.

LE, questão 780. O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual?
Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente.”
a) Como pode o progresso intelectual engendrar progresso moral?
“Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos.”

LE, questão 685, comentário de Allan Kardec
   Não basta se diga ao homem que lhe corre o dever de trabalhar. É preciso que aquele que tem de prover a sua existência por meio do trabalho encontre em que se ocupar, o que nem sempre acontece. Quando se generaliza, a suspensão do trabalho assume as proporções de um flagelo, qual a miséria. A ciência econômica procura remédio para isso no equilíbrio entre a produção e o consumo. Esse equilíbrio, porém, dado seja possível estabelecer-se, sofrera sempre intermitências, durante as quais não deixa o trabalhador de ter que viver. Ha um elemento, que se não costuma fazer pesar na balança e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Esse elemento e a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, a educação moral pelos livros e sim a que consiste na arte de formar os caracteres, a que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos.
  Considerando-se a aluvião de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de espantar as consequências desastrosas que daí decorrem? Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos penosamente os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Esse o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, o penhor da segurança de todos.

LE, questão 813
 Há pessoas que, por culpa sua, caem na miséria. Nenhuma responsabilidade caberá disso à sociedade?
“Certamente. Já dissemos que a sociedade é muitas vezes a principal culpada de semelhante coisa. Ademais, não tem ela que velar pela educação moral dos seus membros? Quase sempre, e a má-educação que lhes falseia o critério, em vez de sufocar-lhes as tendências perniciosas.”
 ˜˜
   Verificamos agora, uma proposta da vida, na leitura de trecho do livro ‘Almas em Desfile’, de Hilário Silva, na mediunidade psicográfica de Francisco Cândido Xavier:

O médico e o fiscal
Dr. Militão Pacheco

— Se possível, acelere um pouco a marcha.
Era o abnegado médico espírita, Dr. Militão Pacheco, que rogava ao amigo que o conduzia por gentileza.
E acrescentava:
— O caso é crupe.
O companheiro ao volante aumentou a velocidade, mas, daí a momentos, um fiscal apitou.
O carro atendeu com dificuldade e, talvez por isso, a motocicleta do guarda sofreu pequeno choque sem consequências.
O policial, porém, não estava num dia feliz e o Dr. Pacheco com o amigo receberão uma
saraivada de palavrões.
Notando que não reagiam, o funcionário fez-se mais duro e declarou que não se conformava apenas com a multa.
Os infratores estavam detidos.
O Dr. Pacheco deu-lhe razão e informou que realmente seguiam com pressa para socorrer um menino sem recursos, rogando, humilde, para que a entrevista com a autoridade superior fosse adiada.
— Se o senhor é médico — disse o interlocutor, com ironia —, deve proceder disciplinadamente, sem sair do regulamento. Para ser franco, se eu pudesse, meteria os dois, agora, no xadrez.
Embora o amigo estivesse rubro de indignação, o Dr. Pacheco, benevolente, fez uma proposta.
O guarda deixaria, por alguns instantes, o veículo, e seguiria com eles no carro, mantendo vigilância.
Depois do socorro ao doentinho, segui-lo-iam para onde quisesse.
Havia tanta humildade na súplica, que o fiscal concordou, conquanto repetisse asperamente os insultos.
— Aceito — exclamou —, e verificarei por mim mesmo. Ando saturado de vigaristas. E
creio que, se estão agindo com mentira, hoje dormirão no Distrito.
A motocicleta foi confiada a um colega de serviço e o homem entrou, seguindo em silêncio.
Rua aqui, esquina acolá, dentro em pouco o carro atingiu modesta residência na Lapa, em S. Paulo.
Os três entram por grande portão e caminham até encontrar esburacado casebre nos fundos.
Mas, ao ver o menino torturado de aflição nos braços de infeliz mulher, o bravo fiscal, com grande assombro dos circunstantes, ficou pálido e com os olhos rasos de água.
O petiz agonizante e a jovem senhora sem recursos eram seu próprio filhinho e a sua própria esposa que ele havia abandonado dois anos antes...
Obs.: Militão Pacheco (1866-1954) foi médico homeopata em São Paulo e tornou-se espírita na virada do século XIX para o século XX.

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