sábado, 7 de maio de 2016

Cartas revelatórias



    Correspondência sobre Magnetismo Animal é um livro de autoria de G. P. Billot,  que narra as impressões trocadas por ele com Deleuze em várias cartas. O título desta obra de 1839 é composto pela frase ‘Investigação psicológica sobre a causa dos fenômenos extraordinários observados entre os atuais videntes, impropriamente chamados sonâmbulos magnéticos’, que demonstra a posição inovadora do seu autor e de seu missivista a respeito dos sujeitos passivos submetidos ao transe nas pesquisas do magnetismo.
     Guillaume Pascal Billot(1758-18...) e Jean Philippe François Deleuze (1753-1835) descrevem a intervenção dos espíritos em algumas sessões

   Billot envia, em 30 de setembro de 1831 a Deleuze, uma correspondência onde descreve uma sessão ocorrida em 1819, onde, após magnetizar três pessoas, dá-se a ocorrência da criação de objetos no ar, cuja materialização se  mostra permanente:
Esta sessão é notável porque tínhamos, naquele dia, três sonâmbulos lado a lado, em estado crisiático, sendo duas senhoras e um senhor. Todos viram os mesmos objetos, por vezes tendo sido visto por um, às vezes por outro. No meio da sessão, um dos videntes exclamou: ‘Surgiu uma pomba, branca como a neve, e está voando sobre o apartamento portando algo em seu bico - é um rolo de papel. Oremos.' Procedemos alguns minutos de silêncio, após o que ela acrescentou: ‘Olha, ela soltou o papel que depositou-se aos pés de Madame J’ (uma senhora cega). Eu o pego e nele sinto um odor suave. Ao abri-lo me deparo com três pequenos pedaços de ossos colados a pequenas tiras de papel, onde se lê escrito abaixo dos fragmentos - São Máximo, em uma, Santa Sabine, em outra, e na terceira - muitos mártires.
- Para quem são essas relíquias?, perguntei à vidente.
- Para mim e para todos nós; para mim porque deverei guardá-las e para vocês para que mantenham e reavivem a fé.
Em realidade, seria a vontade do magnetizador que cria esses fatos? Ou deveríamos atribuir esse poder a uma capacidade latente no sonâmbulo? Poderia esse poder provir dos espíritos? Seguem aqui, meu caro correspondente, minhas observações e citações para as suas reflexões, as quais, creio, provam da forma mais positiva a intervenção de um poder espiritual nos fenômenos de sono magnético. (Tomo II, p. 8-13)

   Em 6 de novembro de 1831, Deleuze, responde a Billot  elogiando as experiências do missivista e relatando que, ao longo de seus 79 anos de vida, não participou de suficientes experiências com espíritos para afirmar que estes sejam a origem de todos os fenômenos que se pode obter com o Magnetismo:
O Magnetismo demonstra a espiritualidade da alma e a sua imortalidade; isso prova a possibilidade da comunicação entre inteligências separadas da matéria com aqueles que ainda estão nela, mas o Magnetismo nunca me apresentou fenômenos que me convencessem de que esta possibilidade pode ser realizada a qualquer momento, e eu não acredito que ela seja a causa de muitos dos fenômenos magnéticos, ou que ela ofereça a explicação mais satisfatória.

      Trocando cartas em 1831, Billot e Deleuze registram a antecipação do movimento espiritualista norte-americano em quase duas décadas e o surgimento do Espiritismo que viria quase três décadas depois.

Um comentário:

Luciano Pudell Wagner disse...

Parabéns por esta bela pesquisa!

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