sexta-feira, 6 de maio de 2016

Observar os fatos



  

   Existe em Allan Kardec um posicionamento a respeito do que ele esperava dos espíritas, no tocante à progressividade da doutrina. Em vários momentos o codificador irá descrever a performance aguardada em relação ao que seriam os nossos deveres, nos quais se incluem os  estudos sérios e as pesquisas. Devemos questionarmo-nos se estamos correspondendo àquilo que se espera de nós.
 


     No trecho que segue abaixo, é em A Gênese que Allan Kardec menciona que o ser encarnado (o homem) deve aliar o seu raciocínio e o seu critério e tirar ele mesmo as deduções da observação dos fatos. Fica nítido que, estando os verbos no tempo presente, o codificador fala de uma doutrina espírita que está em permanente progresso. Somos nós que devemos observar os fatos, registrá-los e estudá-los.

A objeção [à autoridade da doutrina espírita] seria poderosa, se essa revelação consistisse apenas no ensino dos Espíritos, se deles exclusivamente a devêssemos receber e houvéssemos de aceitá-la de olhos fechados. Perde [a objeção] porém, todo seu valor, desde que o homem concorra para a revelação com o seu raciocínio e o seu critério; desde que os Espíritos se limitam a pô-lo no caminho das deduções que ele pode tirar da observação dos fatos. (A Gênese, Caráter da Revelação Espírita, item 57, Allan Kardec)

   Nossas ilações e perquirições devem basear-se em fenômenos concretos, sejam eles ocorrências habituais, ou circunstâncias especiais.

Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subsequentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. (A Gênese, Caráter da Revelação Espírita,  item 14)

   Há muito a realizar em termos de expansão dos conceitos doutrinários. A base do Espiritismo está constituída em seus fundamentos, constantes dos pontos principais da doutrina presentes na Introdução de O Livro dos Espíritos, itens VI e XVI. Mas os desdobramentos possíveis na área moral e na área social, o avanço da compreensão sobre o elemento espiritual que se constitui no objeto da Doutrina, deve ser motivo de pesquisa e estudo permanente, e de muito trabalho associativo, reunindo os esforços dos centros espíritas.

  Os Espíritos não ensinam senão justamente o que é mister para guiá-lo no caminho da verdade, mas abstêm-se de revelar o que o homem pode descobrir por si mesmo, deixando-lhe o cuidado de discutir, verificar e submeter tudo ao cadinho da razão, deixando mesmo, muitas vezes, que adquira experiência à sua custa. (A Gênese, Caráter da Revelação Espírita,  item 14)

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