quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Espíritos que desconhecem sua situação - Estou no Metrô

Muitos espíritos ignoram o fato de estarem desencarnados. Allan Kardec é o primeiro a nos esclarecer a esse respeito:
  
 "Um fenômeno mui frequente entre os Espíritos de certa inferioridade moral é o acreditarem-se ainda vivos, podendo esta ilusão prolongar-se por muitos anos, durante os quais eles experimentarão todas as necessidades, todos os tormentos e perplexidades da vida."  (Allan Kardec, O Céu e o Inferno, Primeira parte, cap. 7: Código penal da vida futura)

   Nem todos os comunicantes, contudo, deverão vir a tomar ciência imediatamente sobre o fato de sua desencarnação, informação, aliás, que poderá causar prejuízo em muitos casos de atendimento.

              (...) o doutrinador deve ser muito cauteloso no momento de fazer a revelação quanto à condição em que se encontra o Espírito que está sendo atendido. Precipitar o conhecimento de sua morte biológica pode causar-lhe um trauma desestruturador da emoção (...) (Reuniões Mediúnicas, Projeto Manoel Philomeno de Miranda, Livraria Espírita Alvorada Editora, 10ª edição, 2008, pág. 84).

   O caso prático apresentado a seguir, possibilita depararmo-nos com o apoio que respostas simples podem proporcionar, mesmo que sem a intenção de estabelecer sugestionabilidade, mas no sentido de ser uma ferramenta útil para romper o impasse de situações em que o comunicante se mostra arredio ou defeso em relação a receber o atendimento. 


ESTOU NO METRÔ

- Seja bem-vindo
= Estou sozinho no metrô.
- Você não está mais sozinho, estamos com você.
= Mas não te vejo, só te ouço.
- Bem... sabe o que é, eu estou falando pelo auto-falante do metrô.
=  Fui assaltado. Sou executivo.
- Convido-te a seguir conosco, você será atendido. Fazemos parte de uma equipe de atendimento, em nome de Jesus.
=  Estou debaixo da escada do metrô.
- Você precisa de atendimento e estamos aqui para ajudá-lo, peço que aceite nosso auxílio.
= Fui assaltado... Ele levou minha pasta de executivo e feriu-me pelas costas... vou ficar embaixo da escada.
- Olha vou sair daqui da cabine de som e vou até onde você está. Vou descer a escada. Aqui estou, você já pode sair para ser atendido.
= Mas com esta roupa não posso, minha roupa está em frangalhos, não posso sair assim.
- Pegue esta muda de roupas e se troque.
=  Trocar-me aqui? é impróprio o local. Não vou me trocar aqui.
- Não se preocupe, eu trouxe um biombo portátil, e vou montá-lo. Pronto, agora você pode se trocar. Sente-se melhor?
= Sim, estou mais calmo.
- Vamos orar a Deus agradecendo tudo que recebemos dEle. 
(procede-se uma oração)
= Vejo luzes. Um amigo meu está aqui.
- Ah! Que bom.
= Estou sendo atraído pelo corpo búdico do meu guru.
- Então siga em paz com seu amigo.

   Além da inusitada referência do espírito ao corpo búdico de seu amigo, há na conversação com ele dois outros pontos de interesse para estudo futuro: o fato de que ele vê o doutrinador presente ao ambiente espiritual, e a diferença entre a ação no tempo presente para ele, e para nós. O tempo necessário para ele trocar de roupa, por exemplo, não é igual ao tempo que qualquer um de nós necessitaria. E, curioso anotar, ele não estranha essa rapidez. Quanto à visualização do dialogador encarnado em seu meio espiritual, a repetição de casos dessa natureza certamente se dá devido ao ‘desdobramento inconsciente’ do encarnado durante a tarefa de auxílio, o que nos permite sugerir a reversibilidade do princípio da intervenção dos espíritos desencarnados no mundo material enunciado por Allan Kardec, ou seja, a intervenção dos espíritos encarnados no mundo espiritual.





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