quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

As manifestações espirituais coletivas

  Em O Livro dos Médiuns, item 11, Allan Kardec relaciona ocorrências mediúnicas coletivas: os Fanáticos de Cevenas, os Convulsionários de Saint-Médard e as Religiosas de Loudun.
  Podemos com nitidez verificar a sequência histórica que essas ocorrências com o surgimento das doutrinas religiosas, filosóficas e científicas do Espiritualismo Norte-Americano e do Espiritismo.

OS FANÁTICOS DAS CEVENAS
Jovens extáticos lideram reação protestante

 O seu surgimento deveu-se às ações intempestivas de Luis XI (1638-1715) após decidir pela unificação de seu país em torno de uma única religião – a Católica. Com uma população de 20 milhões de habitantes, dos quais apenas um milhão eram protestantes, o Rei decide invadir a região do Languedoc que reunindo 200.000 huguenotes no sul da França, contava com uma economia em expansão graças à indústria têxtil. (1). 
 A partir de 1685, aldeias inteiras foram massacradas e queimadas em uma série de atrocidades impressionantes. Os ministros religiosos huguenotes expulsos serão substituídos na comunidade huguenote por pregadores iniciantes, inexperientes e místicos. Em breve, na região das montanhas das Cevenas, quinhentos jovens com idades entre onze e quinze anos, alevantados pelo clamor contra as injustiças, caíam em êxtase e recitavam profecias bíblicas, sofrendo tremores físicos e desmaios.

 Muitos deles lançavam-se então a falar contra a Igreja, afirmando que estavam prevendo a queda do Papa.
 Em 1706 alguns desses profetas foram para a Inglaterra, onde continuou a manifestar-se o espírito de profecia e até o final do ano já tinham trezentos seguidores ingleses e um total de quinhentas profecias já tinham sido pronunciadas. Eles serão responsáveis pelo ressurgimento do movimento Quaker na Inglaterra, em uma segunda versão mais acirrada que os tornará denominados pela expressão Shakers.

QUAKERS
Reunião quaker: silêncio buscando inspiração

George Fox (1624-1691) é o criador do movimento Quaker. George reúne os amigos e forma uma nova seita inicialmente denominada Sociedade dos Amigos. Agrupados em silêncio, meditavam e aguardavam inspirações. Passaram a ser chamados de quakers devido às fervorosas atitudes oracionais conjugadas que os faziam tremer. Entre suas crenças, os quakers  prezam pelas ações pacifistas e beneficentes(2).
Quando o movimento do Novo Espiritualismo eclodiu nos Estados Unidos, as comunidades quakers norte-americanas, conhecedoras  da mediunidade, apoiaram a família  Fox.
A primeira grande reunião pública com demonstrações de mediunidade deu-se nessa cidade, ao final do ano de 1849, em um salão denominado Corinthian Hall, quando alguns ativistas espiritualistas foram designados pelos espíritos em uma sessão do círculo da casa de Leah Fox, para apresentarem-se perante o público. Três dos ativistas convocados pelos espíritos superiores eram quakers: George Willets e seu primo Isaac Post, e Capron (3)


SHAKERS 
Shajers e a mediunidade sem controle

Da França, cinco profetas fogem das perseguições deflagradas contra os protestantes nas montanhas das Cevenas e internam-se na Inglaterra no ano de 1706, misturando-se com os quakers ingleses. A chegada dos convulsionários franceses reaviva o movimento quaker e em 1747 surge um novo grupo de religiosos tremedores na Inglaterra: os shakers. Eles não apenas tremiam durante o transe mediúnico, mas entravam em convulsão. Shakers em Inglês significa sacudidor, convulsionário. Uma vez transferidos para as colônias norte-americanas, os shakers progrediram em número fazendo conversões e adotando crianças órfãs. As comunidades shakers instalaram-se em áreas rurais, aonde dedicavam-se ao trabalho agrícola e uso em comum de seus recursos.

Fontes:
(1) Emmanuel Le Roy Ladurie, ‘Huguenots contre Papistes’, in Philippe Wolff (ed.), Histoire du Languedoc (Toulouse: Privat, 1967, reprinted 1990), pp. 337-339, 348.
(2) George Fox Friends, A Journal of Historical account, Book Store, p. 56

(3) Radical Spirits: Spiritualism and Women’s Rights in Nineteenth-Century America, Ann Braude, 2.edition, Indiana University Press, 2001, p. 15

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