sábado, 21 de julho de 2018

Culto do Evangelho no Lar

   Um centro ou qualquer outra agremiação espírita não é casa de oração. A casa espírita é um local de trabalho espiritual, realizado sempre à luz da oração, mas o Espiritismo não tem santuários, templos, casas de oração.
   Um espírita consciente, quando sente necessidade de orar, não tem a necessidade absoluta de se dirigir a uma casa espírita. Pode orar em qualquer lugar, mas deve preferencialmente fazê-lo no seu lar, que deve ser considerado o seu santuário maior.
   Jesus jamais recomendou o comparecimento a um templo, para a oração. Em diálogo com a Samaritana, à beira do Poço de Jacó, respondendo à sua pergunta se deveria orar no templo de Jerusalém, deu-lhe a seguinte resposta: "Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai." (Jo, 4:21). "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." (Jo, 4:24).
   No Sermão da Montanha, há uma única recomendação de Jesus quanto a local de oração: "Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto; e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará." (Mat, 6:6).
   Analisando-se a recomendação acima, conclui-se que o lar é o templo religioso para a família espírita, é o lugar sagrado onde se devem processar as orações em família, bem como as meditações individuais.
   Essa recomendação de Jesus quanto á oração no lar é perfeitamente coerente com a milenar prática judaica realizada em todos os lares, depois do pôr do sol da sexta-feira, que consiste na leitura de um texto escolhido da Torá, que é comentado pelo chefe da família ou quem ele designar.
   Em Israel, como convidado para um jantar, tive oportunidade de participar desse momento sagrado, num lar judeu. Nessa oportunidade, perguntei ao guia que orientava o grupo de convidados, de que eu fazia parte, como ele agiria relativamente à sua religião se morasse numa cidade onde não houvesse uma sinagoga. Ele respondeu-me que não dependia de um templo para continuar sendo fiel praticante da sua crença. Disse-me ele enfaticamente: "Para ser fiel à minha religião, devo realizar em meu lar esse momento religioso que vivenciamos aqui. Todo lar verdadeiramente judaico, em todo o mundo, na noite de sexta-feira, antes da refeição habitual, faz o que fizemos aqui, ou seja a leitura de um trecho da Torá e um comentário."
   Assim também deve agir o espírita que resida em local onde não exista centro espírita ou, caso exista, não tenha a possibilidade de frequentá-lo. Poderá vivenciar plenamente sua convicção espírita promovendo o culto espírita em seu lar, através de leitura de páginas edificantes e de conversação sadia sobre elas. Mesmo no caso de estar só, poderá fazer uma leitura, uma meditação e finalizar seu momento religioso com uma prece.
   Na obra "Jesus no Lar", o Espírito Neio Lúcio transcreve importante recomendação de Jesus a Simão Pedro, no final de uma conversa em que o Mestre discorria sobre o papel do lar na vida humana. Finalizando a conversa, Jesus, referindo-se à mesa do lar, disse: "Por que não instalar, ao redor dela, a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento?"
   Como espíritas, temos inúmeras páginas conclamando-nos à realização desse momento de espiritualidade em nossos lares, como essa do primeiro capítulo do livro "Jesus no Lar", que Neio Lúcio finaliza, mostrando, depois de edificante diálogo, que pela atitude de Jesus, o Culto no Lar não é uma reunião de reza, mas de leitura, reflexão e conversação nobre: "Então Jesus, convidando os familiares do apóstolo à palestra edificante e à meditação elevada, desenrolou os escritos da sabedoria e abriu, na Terra, o primeiro culto cristão do lar. 
     

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