quinta-feira, 5 de julho de 2018

Receptadores

   Receptadores  -   José Passini
   O receptador é mais criminoso do que aquele que assalta, que rouba, que desvia bens. O receptador incentiva o crime, pois ao assaltar, o criminoso sabe que tem um comparsa: aquele que lhe comprará o fruto do roubo.
   Há muitos tipos de receptadores: aqueles que compram o produto do roubo por ter um valor muito baixo, para revendê-lo com grande lucro, por não incidirem sobre ele os respectivos impostos. Outros, embora sabendo de sua origem ilícita o adquirem para uso próprio.
   É de se perguntar quais os meios de que se valem os assaltantes para colocar no comércio o produto de grandes roubos, às vezes cargas inteiras de caminhões de transporte que conduzem mercadorias de variada espécie. Seria de se perguntar, também, como podem as peças roubadas ser colocadas no mercado sem a conivência de comerciantes inescrupulosos, receptadores que são tão criminosos quanto os assaltantes. Talvez mais, até.
   Será que não está faltando uma fiscalização severa no sentido de verificar a origem de produtos que estão sendo comercializados?
   Diante do volume crescente de roubos de cargas, a fiscalização sobre a origem de produtos comercializados pelos estabelecimentos de existência legal deveria ser mais rígida. A facilidade na colocação do produto do assalto é forte incentivo ao roubo.
   Outro tipo de receptador é aquele consumidor que, embora sabendo da procedência duvidosa de um produto, é tentado pelo seu preço muito abaixo do normal. Deixando de lado o escrúpulo, adquire-o, incentivando assim o roubo, o tráfico, a contravenção enfim.
   Nesse contexto, onde entram os ensinamentos espíritas? Se temos dúvidas quanto à licitude da origem do produto, devemos aplicar o ensinamento do Apóstolo Paulo: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam." (I Co, 10:23).
   A sociedade deve ter consciência de que o comprador de droga, ainda que para seu uso pessoal, é também um contraventor, um receptador de produto que circula através do crie, gerando o maior desequilíbrio social dos últimos tempos.
   Diante do fato de não ser possível ao usuário de droga a sua aquisição por meios legais, todo aquele que fosse apanhado com tais produtos, ainda que para uso pessoal, deveria ser responsabilizado, pois estaria, no mínimo, na condição de receptador de produto de circulação ilegal. Se a droga não pode ser comercializada legalmente, o seu usuário deveria ser criminalizado também, diante do fato de estar comprando produto de tráfico. O usuário de droga deve ser conscientizado de que também ele é agente promotor de grave desequilíbrio social, pois contribui diretamente para a manutenção dessas lutas armadas entre quadrilhas que vivem do narcotráfico, em tiroteios que levam muitos inocentes à morte.
 
 

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